terça-feira, 10 de julho de 2012
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DO SINAI AO CALVÁRIO
Extraído de:
Helmut H. Kramer, Os adventistas da reforma, Tatuí, SP: CPB, 1998.
O autor nasceu, crescer e serviu por 20 anos no Movimento de Reforma, como colportor-evangelista, pastor e administrador.
“Nasci em um lar cristão onde se enfatizava a estrita obediência a Deus e Sua
Palavra. A penalidade da desobediência era claramente retratada, como era a
recompensa da obediência. Pareço lembrar-me mais da ênfase sobre a justiça de Deus
do que do amor que Ele manifestou para com os filhos dos homens. Fui levado a
considerar a Deus o Pai como um juiz severo - a imagem do pai severo - e Jesus
como a imagem da mãe condescendente, aquela que protege o filho contra a
austeridade excessiva do Pai.
Meu propósito, ao escrever, é retratar o que me transformou de um ardoroso
membro e obreiro do Movimento da Reforma em um membro e obreiro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia (IASD). Aqueles que me conheceram não podem
questionar o fato de que antes de 1982 eu era um crente tão firme na autenticidade do
Movimento da Reforma como ninguém poderia ser.
O lar de meus pais era muito exclusivo, não em opulência, mas na opinião de
que éramos o povo escolhido de Deus. Todos os estranhos eram considerados agentes
de Satanás. Nós, filhos, éramos proibidos de nos associar com outros jovens a fim de
evitar que eles, como filhos do Maligno, nos contaminassem.
Sendo que nossa igreja não tinha escolas, eu freqüentava a escola pública,
juntamente com um irmão e três irmãs. Não tínhamos permissão de participar em
nenhuma atividade extra-classe. Nem nos engajávamos nos programas de Educação
Física dentro da escola. Os últimos envolviam competição que meu pai acreditava
firmemente serem pecaminosas e proibidas pelo Senhor.
Conseqüentemente, lembro-me de ter-me sentido um estranho entre meus
iguais. Em nenhuma ocasião tive amigos íntimos, nem mesmo nos anos da escola
secundária. Eu tinha medo de me associar com outros, porque, afinal, isto era “nós e
eles” - o povo de Deus em oposição aos filhos do diabo. O lema, o slogan era sempre:
“separai-vos”, do jeito que o povo judeu mantinha-se afastado dos “gentios” que os
rodeavam.
Com a idade aproximada de 13 anos, fui batizado na igreja de meus pais, a
Adventista do Sétimo Dia do Movimento de Reforma (da Sociedade Missionária
Internacional - SMI). Não havia nenhuma dúvida em minha mente de que esta igreja
era o único e verdadeiro povo de Deus. Eu deveria fazer parte deste movimento se
quisesse ser salvo. Isto havia sido implantado firmemente em minha memória desde a
infância. Eu tinha uma compreensão razoavelmente boa das doutrinas da igreja, mas
ao olhar para trás, indago se eu conhecia realmente o nosso amoroso Senhor como
deveria ter conhecido. Tal relacionamento não era considerado de maior prioridade
para a aceitação como membro da igreja do que a compreensão doutrinal.
Eu tinha apenas 11 anos quanto testemunhei os primórdios de um terrível
conflito entre duas facções do Movimento da Reforma. Por um lado, estava a União
Americana, lutando para evitar a dominação total da Associação Geral (SMI) da
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Alemanha. Por outro lado, estava o dirigente que fora enviado pela Associação Geral
para forçar a União a submeter-se à sua vontade. Observei de perto este conflito,
sendo que meu pai era ministro e oficial da Associação do Movimento de Reforma.
Como resultado deste conflito, vi um número considerável de membros deixar
o Movimento e entrar na IASD. Outros renunciaram totalmente a sua fé. A batalha
entre os reformistas esgotou o tesouro da União e absorveu até mesmo um fundo
especial que fora reunido para iniciar a obra de Saúde nos Estados Unidos. Todos os
recursos da igreja foram consumidos na luta uns com os outros, ao invés de dar a
última mensagem de advertência ao mundo ou expandir a obra em outros países.
A luta entre essas duas facções atingiu o auge em 1951, quando o Movimento
de Reforma se dividiu. D. Nicolici, com um grupo de partidários, estabeleceu sua
própria Associação Geral (’51) e começou a batalhar contra o Movimento original
(SMI). Agora havia duas Associações Gerais do Movimento de Reforma. Cada uma
declarava que a outra estava em rebelião e se excomungaram mutuamente. Cada uma
acusava a outra de tentar mudar os “Princípios” do Movimento.
Esta luta tem continuado desde aquele dia até o presente. Quando quer que
uma facção estabeleça um grupo de crentes, a outra procura ganhar os novos
membros para si mesma.
Enquanto a SMI tentava combater estas batalhas baseada nos fatos da situação,
a outra facção (’51) distribuía documentos de acusação contra nossos líderes.
Repetidas vezes, quando jovem, fui forçado a testemunhar uma batalha carnal que
estava sendo levada a efeito por pessoas que faziam uma alta profissão de piedade,
mas que estavam apenas lutando para sua própria glória e honra. Com muita
freqüência, testemunhei mentiras sendo perpetradas pela facção oposta, a fim de
confundir pessoas simples, levando-as a apoiar sua organização e liderança.
Desde a mais tenra infância, eu havia sido doutrinado a crer que o Movimento
da Reforma era totalmente correto, e que a IASD era uma organização totalmente
apostatada. Sempre que ocorria algo que abalasse a confiança de uma pessoa (tal
como a contenda pela liderança, que resultou no cisma de 1951), diziam-lhe que isto
era prova de que o Movimento deveria ser de Deus. Se ele não fosse obra de Deus,
Satanás não tentaria destruí-lo tão implacavelmente.
Posteriormente, vim a perceber que tais batalhas pela supremacia não eram
novas no Movimento. Era um fato natural desde o próprio início. As lutas eram
ocultas do povo, exceto onde isto se tornava impossível, como as que ocorreram
durante os anos de 1948-1952.
Estando intimamente associado com a obra, porque meu pai era um ministro no
Movimento, eu não era totalmente ignorante quanto ao que estava ocorrendo. Ao
mesmo tempo, expressar dúvidas a respeito da direção que o Movimento estava
seguindo era considerado pecaminoso. Isto implicava em duvidar de que o Senhor
estava dirigindo. Afinal, sendo que a IASD era considerada uma “igreja caída”, para
onde mais poderia alguém ir, senão para o Movimento?
Como crianças, éramos ensinados a olhar com suspeito para tudo o que era
feito pelos líderes e o povo da “igreja-mãe”. Tudo que eles faziam e escreviam,
deveria estar distorcido. Não tinham eles tomado o lado de Satanás, subvertendo a
posição original dos pioneiros? Finalmente, descobri que nem mesmo conhecíamos a
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posição original dos pioneiros. Na realidade, os reformistas, consciente ou
inconscientemente, estavam tentando reescrever a história Adventista para se ajustar
às suas próprias idéias de como “deveria” ela ter sido.
Meu Serviço no Movimento da Reforma
Depois de concluir a escola secundária e trabalhar por alguns anos como
desenhista arquitetônico, senti o chamado do Senhor para ingressar no serviço
missionário. Eu estava convencido de que a vinda do Senhor não poderia estar muito
longe. Ao ver a pequenez do Movimento da Reforma e perceber quanta obra
precisava ser feita para advertir o mundo que ainda jazia em trevas, vi a necessidade
de fazer minha parte, a fim de apresentar a vinda do Senhor.
A princípio, comecei a trabalhar à base do meio expediente, como colportor
evangelista. Sendo que a única escola missionária que o Movimento tinha estava na
Alemanha (com instrução somente em alemão), obtive meu preparo na escola da
experiência - através da colportagem e dando estudos bíblicos. Além disso, obtive
algum preparo trabalhando no campo com obreiros mais experientes. Depois,
comecei a trabalhar em regime de tempo integral no esforço missionário. A União
Americana instituiu seminários a fim de prover preparo adicional para seus obreiros.
Minha esposa e eu casamos em 1962, e começamos a trabalhar junto a fim de
ganhar almas para o Senhor, ou para a igreja (na mentalidade dos reformistas os dois
são sinônimos). Adquirimos perícia em dar estudos bíblicos sobre assuntos
doutrinários. Mas nunca fomos ensinados a levar uma alma ao pé da cruz. Como
resultado, ganhamos muito poucas pessoas. Subseqüentemente a esses labores,
respondemos a um chamado para fazer serviço missionário de tempo integral em
Richmond, Virgínia (EUA). Ali, em grande parte, começou a sério minha
peregrinação.
Ao trabalhar de porta em porta, freqüentemente me deparava com a pergunta
feita por alguns daqueles queridos Batistas do Sul: “Você está salvo?” Para eles esta
era uma pergunta importante. Contudo, eu não podia dar uma resposta clara e
honesta. Minha resposta íntima era: “Espero que sim”; ou: “Se for fiel, estarei”; ou:
“Estou trabalhando neste sentido”. Dentro do meu coração, eu sabia que tal resposta
não seria aceitável para essas pessoas sinceras, nem eram tais respostas aceitáveis
para mim mesmo. Este dilema me levou às Escrituras e ao Espírito de Profecia em
busca de respostas. Ao estudar, começou a raiar em minha mente obscurecida que,
enquanto eu não aceitasse a opinião batista (“uma vez salvo, salvo para sempre”),
também não poderia e não deveria ter hoje a certeza da salvação como filho de Deus.
Passo a passo, através de muito estudo e da orientação do Senhor, o processo
foi adiante em minha vida. Enquanto trabalhava com a Igreja da Reforma local em
Richmond, fui capaz de experimentar de primeira mão os terríveis resultados do
legalismo. Membros que eu sabia que nem por um esforço da imaginação estavam
vivendo a vida cristã, eram muito fortes em obedecer à letra da lei e em condenar
aqueles que não viam as coisas como eles.
Depois de ser ordenado ao ministério, fui transferido para o Canadá, a fim de
tomar conta de um distrito de 3 igrejas. Ali encontrei os membros divididos por
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opiniões legalistas. Às vezes, eu era obrigado a me assentar em reuniões de comissão
até às 2:00 horas da manhã, ouvindo acusações contra os membros da igreja e
pedidos de punição. Por exemplo, um membro que estourasse pipoca sábado à tarde,
deveria ser punido. Dever-se-ia permitir aos membros ter um aparelho de televisão?
Estava o cabelo da pianista suficientemente comprido? Deveria ela ser afastada da
função por ter mandado cortar o cabelo? Comecei a ver a verdadeira calamidade do
legalismo. Vi igrejas e famílias separadas por atitudes não cristãs, tudo em nome de
fazer a “vontade de Deus”. Isto intensificou o meu desejo de algo melhor.
Neste ínterim, continuei a cumprir minha tarefa tão bem quando podia. Isto me
levou a visitar uma reunião de oração da IASD a fim de encontrar pessoas que eu
pudesse interessar no Movimento da Reforma. Não obtive nenhum converso com este
método, mas vi muitas coisas a respeito da IASD, que comecei a admirar. Em uma
igreja o pastor dirigia classes de testemunhos, nas quais aprendi a levar a mensagem
de salvação ao povo mais eficientemente. Ao empregar estes princípios, meu
ministério começou lentamente a produzir fruto, e almas foram ganhas para Cristo
bem como para a igreja.
Em meu estudo, cheguei a obter concepções mais claras da mensagem de
justificação pela fé, conforme foram apresentadas pelos irmãos Jones e Waggoner à
IASD em 1888. Mas minha doutrinação passada nos ensinamentos da Reforma
predispôs-me a crer que esta maravilhosa mensagem tinha sido rejeitada pela IASD.
Eis por que, como eu tinha sido ensinado, havia necessidade do Movimento da
Reforma.
Às vezes eu tinha algumas dúvidas quanto à realidade dessa “rejeição”.
Parecia-me que a mensagem estava sendo proclamada mais claramente pela IASD do
que pelo Movimento. Em minha mente ainda não havia nenhuma dúvida de que o
Movimento da Reforma compreendia o povo de Deus. Cumprindo meu “dever” como
bom reformista, eu procurava todo sinal de apostasia em meus contatos com a
“igreja-mãe”. Quando testemunhava problemas no Movimento, isto apenas
confirmava minha convicção de que este deveria ser o povo de Deus, ou senão
Satanás não estaria tão irado e tentando nos destruir. Apenas vagamente entrava em
minha cabeça o pensamento de que talvez estivéssemos construindo sobre um
fundamento arenoso de divagações humanas.
Enquanto trabalhava no Canadá e na parte oriental dos EUA, tive de batalhar
repetidamente contra os obreiros da facção rebelde (’51). Em uma ocasião, achei
necessário passar vários dias em Boston e em Nova Iorque debatendo com alguns dos
seus dirigentes, porque eles estavam tentando assumir a direção dos membros do
nosso grupo.
Embora percebesse que os líderes do grupo que eu representava não eram
perfeitos, a força do meu argumento era que ao menos eles não tentavam enganar o
povo. Testemunhei repetidas vezes a terrível propensão dos dirigentes desse grupo
rebelde para mentir e torcer os fatos a fim de tentar vencer uma discussão, um debate.
Até aquele tempo, eu nunca havia testemunhado a mesma fraqueza nos líderes do
nosso grupo. Isto logo deveria mudar.
Enquanto trabalhava na Califórnia, durante os anos de 1975 a 1977, ajudei a
fundar um novo grupo, que posteriormente se organizou em igreja. Então, em 1977,
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aceitei um chamado para servir como presidente da União Americana (SMI) em
Denver, Colorado. No ano seguinte (1978), fui eleito para servir também como
presidente da Divisão Norte-Americana (SMI). Estas pesadas responsabilidades me
afastavam da minha família por extensos períodos. Minha esposa assumiu o fardo
extra de educar nossos dois filhos adolescentes na ausência de um esposo/pai,
enquanto também trabalhava em regime de tempo integral na obra de publicações.
Os novos desafios, contudo, eram estimulantes, e eu colocava toda a minha
energia em transformar esses campos em entidades reais. No início, os líderes da
Associação Geral (SMI) me informaram que esses campos eram “campos enfermos”
que necessitavam ser completamente reorganizados. Descobri que a enfermidade era
muito mais do que superficial ou simplesmente organizacional.
Todo o Movimento de Reforma (SMI) no México e na América Central estava
dilacerado pelo legalismo e pela corrupção. As almas não estavam sendo cuidadas
por amorosos pastores, mas eram forçadas à submissão por miniditadores que com
elas não se preocupavam. Os dirigentes mantinham as propriedades da igreja em seu
próprio nome, e, em alguns casos, viviam como reis, enquanto os membros viviam na
pobreza. Membros eram excluídos ou disciplinados por nenhum motivo maior do que
iniciar uma obra de saúde como esforço leigo, sem a permissão do dirigente da igreja.
Trabalhei arduamente para deter a maré de corrupção nessas regiões, apenas
para descobrir posteriormente que coisas idênticas estavam sendo feitas em nível de
Associação Geral. Como membro da Comissão da AG, logo descobri que os fundos
do dízimo estavam sendo utilizados para outros propósitos que não aquele que a
mensageira do Senhor declarou. Em vez de prover sustento para obreiros
missionários, o dízimo estava sendo usado para a compra de propriedades em várias
partes do mundo. Tudo isto estava ocorrendo sem a aprovação, ou mesmo o
conhecimento, da Comissão da Associação Geral.
As ofertas arrecadadas para propósitos especiais não eram distribuídas para
aqueles declarados propósitos, mas eram despendidas segundo os caprichos do
presidente e do tesoureiro. A fim de obter qualquer fundo previamente fixado para
um projeto em determinada área, era necessário gozar das suas boas graças.
Desaprovei tal atitude, e declarei que os membros não concordariam com esta
prática de desviar fundos do propósito para o qual foram doados. Fui informado de
que os membros não tinham o direito de saber como os fundos estavam sendo gastos.
Pela primeira vez, tive a experiência de ver meus próprios dirigentes e coobreiros
proprositalmente engendrando falsidades. Isto me desiludiu grandemente, e
começaram a vir à tona dúvidas quanto à genuinidade do Movimento.
Logo ficou claro que o objetivo dos dirigentes da Associação Geral (SMI) era
suplantar os miniditadores locais do campo mundial com sua própria autoridade.
Exigiram, por exemplo, que cada propriedade da igreja na América Central fosse
transferida por meio de escritura para a AG (SMI), sendo o presidente e o tesoureiro
administradores efetivos. Descobri que isto já tinha sido feito na América do Sul e em
Porto Rico.
Como presidente da Divisão, resisti a tais mudanças. Eu estava convencido de
que na eventualidade de uma insurreição comunista em qualquer desses países, as
primeiras propriedades a serem confiscadas seriam aquelas possuídas por
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organizações estrangeiras. A Comissão da União da América Central concordou
plenamente com esta minha posição e recusou se render àquelas exigências
inconvenientes e arbitrárias.
Posteriormente, quando a União Americana, com o estímulo da AG (SMI),
comprou terra para estabelecer a obra de saúde nos EUA, o auxílio financeiro, que
antes havia sido prometido, tornou-se então dependente dessa propriedade que estava
sendo transferida para a AG. Esta situação fez-me ciente da trilha perigosa que a
direção do Movimento da Reforma estava palmilhando ao estabelecer “poder real”
contra o que Ellen White havia advertido tão fortemente.
Ao voltar para o Espírito de Profecia em busca de iluminação, algumas
declarações muito salientes mostravam que uma situação semelhante ocorrera anos
antes na IASD. A serva do Senhor tinha falado claramente em oposição a tal situação
(veja em Testemunhos para Ministros, pág. 324).
Diferenças Doutrinárias
Foi somente depois que fui eleito para servir como presidente da Divisão
Norte-Americana e como membro da Comissão da AG, que comecei a ver sérios
problemas na organização do Movimento de Reforma. Primeiramente, comecei a ver
diferenças doutrinárias entre o que eu havia aprendido dos líderes da Reforma na
América (e o meu próprio estudo da Bíblia e dos Testemunhos) e o que era ensinado
pelos líderes europeus. Muito rapidamente comecei a notar a desonestidade de alguns
líderes na administração diária da organização. Isto me levou a indagar se o engano
era praticado também em outras regiões.
Durante muitos anos eu havia percebido que o Movimento tinha problemas
com o livreto “Princípios” que estabelece as “Crenças Fundamentais” do Movimento
de Reforma. A maioria dos obreiros e muitos membros percebiam que existiam
assuntos no livreto que não concordavam com as claras afirmações da Bíblia e dos
escritos da profetisa de Deus. Mesmo assim, todos tinham medo de corrigir este
livreto, pelo temor de que o Movimento de Reforma oposto (a facção de 1951) usasse
tais mudanças em proveito próprio. Seus dirigentes seriam então capazes de afirmar
que tínhamos mudado, de sorte que eles poderiam pretender ser o movimento
original, aqueles que se apegavam às crenças fundamentais do Movimento de
Reforma.
Apesar desse temor, os delegados da AG (SMI), em 1978, votaram reescrever
o livreto. Quando, entretanto, a Comissão da AG tentou iniciar a obra, logo se tornou
evidente que qualquer correção ou mudança seria impossível. Ao ponderar este
impasse, voltei-me novamente para a Bíblia, e especialmente para o Espírito de
Profecia, para ver o que a serva do Senhor tinha a dizer em tais assuntos.
Fiz em meu coração a pergunta: “Senhor, como chegamos a este beco sem
saída, em que sabemos que nossa declaração fundamental de fé é incorreta, e,
contudo, não somos capazes de mudá-la?” O que encontrei no Espírito de Profecia
deixou-me sobressaltado. Antes desse tempo, eu jamais questionei a necessidade de
nossa declaração doutrinária. Subitamente, percebi que o Movimento de Reforma,
que amava profundamente, havia caído em uma armadilha de Satanás, estabelecendo
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um credo imóvel, inalterável. Um “assim diz o Senhor” tinha sido substituído por um
“assim diz a igreja”, em oposição direta à instrução do Senhor. As seguintes
declarações me fizeram dar uma segunda olhada para o que anteriormente me haviam
ensinado:
“Muitos hoje se apegam de modo idêntico aos costumes e tradições de seus
pais. Quando o Senhor lhes envia mais luz, recusam-se a aceitá-la porque, não
havendo ela sido concedida a seus pais, não foi por estes acolhida. Não estamos
colocados onde nossos pais se achavam; conseqüentemente nossos deveres e
responsabilidades não são os mesmos. Não seremos aprovados por Deus olhando
para o exemplo de nossos pais a fim de determinar nosso dever, em vez de pesquisar
por nós mesmos a Palavra da verdade. Nossa responsabilidade é maior do que foi a
de nossos antepassados. Somos responsáveis pela luz que receberam, e que nos foi
entregue como herança; somos também responsáveis pela luz adicional que hoje, da
Palavra de Deus, está a brilhar sobre nós” - Grande Conflito, 164.
“Mas Deus terá sobre a Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia só,
como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas. As opiniões de
homens ilustrados, as deduções da ciência, os credos ou decisões dos concílios
eclesiásticos, tão numerosos e discordantes como são as igrejas que representam, a
voz da maioria - nenhuma destas coisas, nem todas em conjunto, deveriam
considerar-se como prova em favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa. Antes
de aceitar qualquer doutrina ou preceito, devemos pedir em seu apoio um claro -
‘Assim diz o Senhor’” - idem, 595.
A Igreja Romana defende o conceito de que a igreja tem o direito de
determinar a doutrina, a despeito do que a Palavra de Deus possa dizer. Em oposição
a este ponto de vista, está a insistência protestante de que toda doutrina deve estar
baseada na Bíblia e nela somente. Cheguei à percepção de que o Movimento de
Reforma se apega à opinião católica deste assunto, em vez de defender a opinião
protestante.
O Movimento ensina que a igreja tem autoridade para promulgar legislação
religiosa, apesar das claras afirmações em contrário, feitas pela Bíblia e o Espírito de
Profecia. Por exemplo, o Movimento de Reforma fez do assunto do vegetarianismo
uma prova de comunhão, a despeito da clara afirmação da Pena Inspirada de que tal
posição não deveria ser tomada: “Não devemos fazer do uso de alimento cárneo uma
prova de comunhão” - Cons. Regime Alimentar, 404. Os reformistas desculpam sua
posição, afirmando que a luz progrediu, chegando ao ponto em que a declaração
precedente não é mais aplicável. Embora os reformistas dificilmente queiram admitir,
suas atitudes em relação à autoridade da igreja são mais católicas do que protestantes.
Comecei a perceber que o Movimento da Reforma estava cheio de muitas
normas forjadas pelo homem. A Palavra de Deus toma o segundo lugar para um
“assim diz a igreja”. Quando comecei a entender este fato, percebi que algo estava
essencialmente errado com o Movimento que eu amava e ao qual tinha dado 20 anos
da minha vida.
Uma noite, assisti a uma reunião evangelística em uma igreja adventista perto
da minha casa, no Colorado. Foi exibido o filme “Enganados”. Esse filme documenta
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a história de Jim Jones e Jonestown. Ele me levou a uma profunda e sóbria reflexão.
Ressaltava que quando a princípio o “Templo do Povo” começou, parecia ser um
lugar onde o amor de Cristo irradiava. Os membros se empenharam em uma grande
obra a fim de estender a mão em assistência aos seus semelhantes. As pessoas eram
atraídas para essa igreja por causa da comunhão e das bênçãos que recebiam.
Todavia, a situação mudava à medida que Jim Jones gradualmente se tornava
um ditador sobre o povo. Agora, conhecemos o resultado final dessa lavagem
cerebral. Os noticiários revelaram o horror quando centenas de pessoas cegamente
seguiram seu líder para a morte. Ao ver esse filme, veio-me a assustadora percepção
de que muitas situações semelhantes estavam ocorrendo na igreja que era a minha
vida. Poderia ser que minha igreja, iniciada por uma boa causa, tivesse se desviado
dos seus objetivos e estivesse seguindo uma direção semelhante à do “Templo do
Povo”? Esta experiência me levou a procurar saber o que o Senhor desejava
realmente que Sua igreja fosse.
Por volta do mesmo tempo, o Senhor colocou em minhas mãos vários livros
que despertaram ainda mais o meu pensamento. Em 1981, os Adventistas publicaram
o Early Elmshaven Years (“Primeiros Anos em Elmshaven” - vol. 5 em uma
biografia de 6 volumes de Ellen White). Ao ler esse livro, recapitulei as experiências
pelas quais a IASD havia passado naqueles dias. Percebi que o Movimento da
Reforma tinha em seu meio os mesmos problemas contra os quais Ellen White havia
falado tão veementemente. Um dia, enquanto visitava a Califórnia, entrei por
curiosidade no Adventist Book Center e me deparei com um livro sobre a história
Adventista, Light Bearers to the Remnant (“Portadores de Luz para os
Remanescentes”), de R. W. Schwarz. Comprei este livro com a intenção de usar o
material nele contido contra a IASD. Ele documentava muitas coisas das quais eu
nunca dantes havia tomado conhecimento.
Em outra ocasião, enquanto visitava parentes em Berrien Springs, Michigan,
comprei outro livro que documentava a falácia da idéia de que a mensagem da
justificação pela fé tinha sido rejeitada pela IASD em 1888. Este livro, Thirteen
Crisis Years (“Treze Anos de Crise”), do Pr. A. V. Olson, revela o fato de que
embora muitos dos principais homens no início rejeitassem a mensagem,
posteriormente se arrependeram e a aceitaram. Adicionalmente, o fato é que a igreja
não tomou qualquer medida oficial sobre este assunto em 1888.
Eu vi agora que a pretensão do Movimento da Reforma - de que esta
mensagem enviada pelo Céu foi rejeitada, e como resultado nasceu o Movimento da
Reforma - era falsa. Assim, sua reivindicação de ser representada pelo anjo do
Apocalipse 18 não poderia ter nenhuma base nos fatos. Verifiquei que realmente
eram os reformistas os que se estavam apegando aos ensinos e atitudes que tinham
produzido a necessidade dessa mensagem. Eles mesmos nunca haviam aceitado a
mensagem; sequer a compreendiam.
Ao começar a compreender estas novas idéias, senti que era meu dever
partilhar este conhecimento com meus companheiros de fé. Era evidente que
havíamos seguido um caminho falso. Era meu desejo ajudar o povo a ver que
necessitava de correção para que pudéssemos colocar-nos na posição em que o
Senhor desejava que estivéssemos.
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Tentei mudar a direção do movimento, apelando para os membros da
Comissão da Associação Geral, mas sem sucesso. Eu escrevia e falava sem rodeios
contra as muitas posições errôneas defendidas pelo movimento, que o meu estudo do
Espírito de Profecia tinha revelado. Finalmente, contudo, fui forçado a verificar que,
para ser fiel à Bíblia e aos Testemunhos, eu deveria separar-me desse falso
movimento.
Tinha havido muita controvérsia entre mim e os dirigentes da AG da Reforma
(SMI), especialmente quanto ao uso do dinheiro. Em primeiro lugar, a direção achava
que o povo não tinha nenhum direito de saber como os dízimos e ofertas estavam
sendo usados. Segundo, eles esperavam que o meu salário e as despesas de viagem
para todas as partes da Divisão Norte-Americana fossem pagos pela União
Americana. Ao mesmo tempo, estavam coletando fundos de todas as partes da
Divisão e não os repassavam para aquela Divisão. Eu não tinha nenhum orçamento
para operações, até que pressionei ao máximo os dirigentes da AG. Foi então votado
que eu receberia tal orçamento, mas ele nunca chegou.
Como a gota d’água, a última coisa tolerável, eles permitiram que os antigos
dirigentes no México retomassem a direção da União, depois de os delegados terem
votado o seu afastamento e anulado suas credenciais. Isto foi feito apesar do fato de
que a própria direção da AG tinha anteriormente declarado que esses homens era
corruptos, e não eram mais dignos de qualquer cargo na igreja. Como resultado,
renunciei à presidência da Divisão no final de dezembro de 1981, mas continuei
como presidente da União Americana.
Sendo que a direção da AG (SMI) agora percebia que eu não era um lacaio,
estava decidida a se livrar de mim. Em resposta a uma carta que eu tinha escrito ao
presidente da AG, recebi dele um curto bilhete que, entre outras coisas, simplesmente
citava um texto bíblico: “O homem, pois que se houver soberbamente, não dando
ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, esse
morrerá: e eliminarás o mal de Israel” (Deut. 17:12).
Na primavera de 1982, escrevi um pequeno livreto, Our Comission, em que eu
salientava alguns dos problemas que eu via no Movimento da Reforma. Esse livreto
era composto principalmente de declarações da Pena Inspirada. Ao escrevê-lo,
percebia muito bem que alguns não gostariam do que era exposto. Antes da
publicação, o manuscrito foi lido por quase todos os membros da Comissão de
Literatura da União Americana. Eles concordaram com sua impressão, não como uma
publicação oficial da igreja, mas simplesmente como proveniente de mim, um líder
da igreja.
O livreto despertou a ira de alguns membros da igreja, especialmente da
direção da AG. Como distrital da Associação na Pensilvânia em agosto de 1982, os
dirigentes da AG exigiram que eu me retratasse de tudo o que disse no livreto e
depois sofresse a devida punição por tê-lo escrito. Pedi que mostrassem o meu erro e
assegurei-lhes que me retrataria do que eu tinha escrito se me pudessem mostrar a
discordância da Bíblia e dos Testemunhos. Somente um irmão tentou mostrar-me um
erro. O que ele considerava incorreto, na realidade nada mais era do que uma
paráfrase de vários textos bíblicos.
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De agosto até dezembro daquele ano, orei e estudei muito. Comecei a
reexaminar algumas das diferenças entre os ensinos do Movimento e os da IASD.
Convenci-me de que, quando as diferenças doutrinárias são estudadas sem
preconceito, aceitando-se apenas o que está escrito na Palavra de Deus, os ensinos da
IASD são mais corretos.
Separação
Ainda não era possível imaginar que o Movimento que eu tinha apoiado tão
vigorosamente não constituía o verdadeiro povo de Deus. Eu acreditava que eles se
tinham apenas desviado, mas que seriam chamados de volta pelo Senhor. Orei
ardentemente ao Senhor para que, se o Movimento da Reforma não fosse o povo de
Deus, Ele me mostrasse claramente pelo espírito revelado nas reuniões dos delegados
da União-Associação da Califórnia. A sessão iria ocorrer em dezembro. Pedi ao
Senhor que me revelasse pessoalmente a verdadeira natureza do movimento. Em todo
sentido possível, tentei trabalhar pela paz nessas reuniões sem sacrificar princípios.
O Senhor me fez ver com muita clareza que havia um espírito falso e satânico
na reunião. Havia um espírito que eu jamais tinha observado antes. Em dado
momento, saí da reunião a fim de falar por um instante com o presidente da AG a
respeito de algumas preocupações que eu tinha, e dois delegados saíram gritando
como demônios, porque o seu caminho tinha sido cruzado. A essa altura, constatei
que minhas orações tinham sido respondidas. Precisamente como Martinho Lutero se
ergueu dos degraus da “escada de Pilatos” e saiu apressadamente de Roma (veja em
O Grande Conflito, 122), achei necessário retirar-me do Movimento da Reforma.
Ainda assim, recebi repetidos apelos para permanecer como pastor da Igreja da
Reforma no distrito de Denver, Colorado.
Em dezembro de 1982, minha esposa e eu renunciamos a todo cargo no
Movimento, como fizeram vários outros obreiros da União Americana. Isto foi um
ato de fé da nossa parte, e foi feito contra o conselho de amigos. Minha querida
esposa, que permaneceu fielmente ao meu lado ao longo de toda esta agitação, tinha
ocupado a importante posição de coordenar a casa publicadora da União Americana.
Nossos amigos nos aconselharam a continuar no Movimento, embora não
crêssemos que ele era o povo de Deus, até que pudéssemos achar outro emprego. Isto
não podíamos fazer conscienciosamente. Sendo que não podíamos mais pagar um
dízimo fiel a tal organização, também não podíamos aceitar pagamento proveniente
de dízimos. Louvado seja o Senhor que cuidou de nós durante aqueles primeiros
meses probantes! Ele nunca permitiu que passássemos fome, apesar de seis meses
sem nenhuma renda.
Depois de romper o emprego com o Movimento, comecei a estudar
resolutamente, recapitulando em detalhes a diferença entre os ensinos da Reforma e
os da IASD. Percebi que outros no Movimento ainda me estavam procurando, em
busca de orientação espiritual. Meus estudos eram agora conduzidos de um modo
diferente de outrora. Como reformista, eu ia à Palavra de Deus com o desejo de
provar que minha posição era correta. Agora eu recorria à Palavra, pedindo ao Senhor
que removesse todas as minhas idéias preconcebidas e me revelasse Sua verdade. Isto
11
me levou à percepção de que os ensinos da IASD, contra os quais eu havia lutado
todos aqueles anos, eram corretos, e os meus conceitos anteriores, falsos.
Minha mente, porém, achava difícil vencer a doutrinação de muitos anos contra
a Igreja Adventista. Como reformistas, víamos a IASD como estando em uma
“terrível condição de apostasia”. Agora eu queria saber como os ensinos da IASD
eram postos em prática.
Comecei a visitar a IASD de Littleton, Colorado. O que eu testemunhei ali me
convenceu de que desde a infância eu havia sido grandemente iludido quanto a este
movimento que Deus chamou a fim de dar Sua mensagem para os últimos dias.
Percebi que esse era o lugar para onde o Senhor desejava conduzir-me. Ele operou de
tal maneira que minha esposa e filhos também começaram a visitar a IASD. Logo,
toda a família era aceita como membros. Enquanto minha esposa e eu estudávamos as
“Crenças Fundamentais” adventistas, descobrimos a verdade na qual havíamos
acreditado por anos.
Devido ao amor e consideração de alguns pastores e dirigentes da IASD, recebi
mais uma vez a oportunidade de trabalhar para o Senhor em regime de tempo
integral. Nunca deixei de me maravilhar ante a amorosa aceitação a nós mostrada, exinimigos
da causa do Senhor. Nunca nos fizeram sentir como inimigos, ou de algum
modo desprezados ou criticados.
...
Incentivo àqueles que venham a ler esta experiência que, se ainda estiverem ao
pé do Sinai (no legalismo da Reforma), façam a viagem ao Calvário. O Senhor vos
guiará nesta jornada, assim como fez comigo. Desprendei-vos dos grilhões do
legalismo e descobri a verdadeira alegria de servir ao Senhor!”
HELMUT H. KREMER
MÁ APLICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO
EQUIVOCADA DE TEXTOS DOS TESTEMUNHOS
Os movimentos reformistas como o de 1914, 1951, etc., são mestres em
torcer e aplicar de maneira errônea textos da Bíblia e do Espírito de Profecia,
para darem ar de crédico às suas idéias.
Eles usam os escritos de Ellen White de uma maneira errada para
acusarem a IASD. Em muitas citações onde a irmã White dá aconselhamentos e
mesmo repreensões à Igreja, em determinados momentos, os reformistas usam
estes textos para demonstrar que Deus rejeitou a IASD. Usam os textos fora do
seu contexto de forma até absurda... Vejamos alguns exemplos...
a) TEXTOS MAL INTERPRETADOS
Em 1888, a irmã White disse que o “cabo foi cortado” e o povo estava
flutuando pelo mar sem mapa ou bússola (ver Cristo, Justiça Nossa, pág. 43;
Serviço Cristão, pág. 38-39). No entanto, com textos como estes ela não quis
dizer que a IASD não era mais a Igreja de Deus, como afirmam os reformistas,
pois em anos posteriores ela escreveu vários outros textos defendendo a IASD,
e mostrando que ela era e continuaria sendo a Igreja verdadeira.
Os sublinhados nos textos a seguir são me minha autoria, para dar ênfase a
pontos importantes.
Em 1893 (ou seja, depois de 1882 e 1888), a irmã White escreveu:
“Meu irmão, soube que estais assumindo a posição de que a Igreja
Adventista do Sétimo Dia é babilônia, e de que todos os que querem se salvar
devem sair dela. Não sois o único homem que o diabo tem enganado nessa
questão... Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo
Dia é babilônia, estais errado. Deus não vos deu nenhuma mensagem assim
para proclamar” - Test. Ministros, 58-59.
Em 1907 (ou seja, depois de 1882 e 1888), ela escreveu que o Espírito
Santo era o Guia da Igreja:
“A evidência que temos tido nos 50 anos passados da presença do Espírito
de Deus conosco como um povo, resistirá ao teste dos que se estão agora
dispondo em ordem de batalha ao lado do inimigo, e reforçando-se contra a
mensagem de Deus” - Mens. Escolhidas, 2:397.
Em 1913 (ou seja, depois de 1882 e 1888), Ellen White também escreveu:
“Cobro ânimo e sinto-me abençoada ao reconhecer que o Deus de Israel
está guiando o Seu povo, e continuará com eles até o fim” - Test. Seletos,
3:439.
Como fica muito evidente por estes textos, apenas um exemplo de muitos
outros, em um sentido geral a irmã White defendeu até o fim de sua vida a
IASD como sendo a Igreja de Deus.
Portanto, os textos utilizados pelos reformistas (principalmente tirados do
livro Cristo Justiça Nossa e Serviço Cristão, por exemplo) são de reprovação e
condenção, realmente... Mas não é correto afirmar que Ellen White cria que a
IASD deixaria de ser a Igreja de Deus. Isto é uma interpretação equivocada (ou
fraudulenta) de tais textos.
É óbvio que se a irmã White tivesse recebido alguma revelação de Deus de
que a IASD se apostataria a tal ponto de ser rejeitada pelo Senhor, ela mesma
teria abandonada a Igreja, e aconselhado outros a também fazê-lo. Mas, AO
CONTRÁRIO, ela morreu fiel e confiante na IASD. E qual dos seus filhos ou
netos deu crédito aos Reformistas? Nenhum...
“A mensagem que declara a Igreja Adventista babilônia e chama o povo
de Deus a sair dela, não vem de nenhum mensgeiro celeste, ou nenhum
instrumento humano inspirado pelo Espírito de Deus” - Mens. Escolhidas,
2:66.
Infelizmente, esta tática de usar alguns textos de reprovação para dizer que
a IASD era babilônia ou que Deus a rejeitaria, foi MUITO USADA... e
continua sendo ainda hoje.
“O Senhor deu a Seu povo apropriadas mensagens de advertência,
repreensão, conselho e instrução, mas não é próprio tirar estas mensgaens de
sua conexão, e pô-las onde pareçam reforçar mensagens de erro. No folheto
publicado pelo irmão S e seus companheiros, ele acusa a Igreja de Deus de ser
babilônia, e insiste em que haja uma separação da Igreja. Esta é uma obra que
não é honrosa nem justa. Compondo aquele folheto, serviram-se de meu nome e
de meus escritos para apoio do que eu desaprovo e denuncio como erro” - Test.
Ministros, 36.
b) TEXTOS MAL APLICADOS
Com relação à má aplicação de textos, veremos apenas um, dentre muitos,
que certamente evidencia como os reformistas torcem os Testemunhos e
aplicam errado seus ensinamentos.
“Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado
fé na mensgem do terceiro anjo, mas não tem sido santificada pela obediência
à verdade, abandona sua posição, passando para as fileiras do adversário.
Unindo-se ao mundo e participando de seu espírito, chegaram a ver as coisas
quase sob a mesma luz; e, em vindo a prova, estão prontos a escolher o lado
fácil, popular. Homens de talento e maneira agradáveis, que se haviam já
regozijado na verdade, empregam sua capacidade em governar e transviar
almas. Tornam-se os piores inimigos de seus antigos irmãos” - Grande
Conflito, 608.
Os reformistas, de modo geral, interpretam e aplicam este texto da seguinte
maneira:
- Classe numerosa : a IASD
- Tempestade : Guerra de 1914
- Antigos irmãos : os reformistas
Mas basta dar uma lida atenta no contexto da passagem, e veremos que ele
não está se referindo à guerra de 1914 como sendo a “tempestade”. O tema é o
decreto dominical... e isto é óbvio com a leitura do contexto.
Ao se analisar a passagem de uma maneira integral, sem “pescaria”,
chegaremos à única conclusão possível:
- Classe numerosa : Adventistas infieís, que abandonaram o sábado
- Tempestade : decreto dominical
- Antigos irmãos : Adventistas fiéis, que não aceitaram o domingo
Esta é a ÚNICA aplicação correta para o texto, e qualquer pessoa com o
mínimo de sinceridade perceberá isso.
Ellen White foi enfática em reprovar estas más interpretações de seus
Testemunhos...
“Tendes tirado também de sua conexão porções dos testemunhos que o
Senhor tem dado para benefício de Seu povo, e as aplicaste mal para sustentar
vossas teorias errôneas - tomando emprestado ou roubando a luz do céu para
ensinar aquilo com que os Testemunhos não se harmonizam, e que sempre têm
condenado” - Mens. Escolhidas, 2:83.
“Alguns há que apanham da Palavra de Deus e também dos Testemunhos
parágrafos ou sentenças destacados que podem ser interpretados de maneira a
se ajustarem às suas idéias, e nelas se detêm, e encastelam-se em suas próprias
posições, quando Deus não os está dirigindo. Aí está o vosso perigo.
Tomais passagens dos testemunhos que falam do fim do tempo da graça,
da sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre esse povo de um outro
povo mais puro, santo, que surgirá. Orá, tudo isso agrada ao inimigo” - Mens.
Escolhidas, 1:179.
Não há o que comentar mais...
a Reforma nasceu equivocada... e assim continuará.
Prof. Gilson Medeiros
http://prgilsonmedeiros.blogspot.com
Adaptado de material do Pr. Benildo Gabriel.
1
COMO COMEÇOU O MOVIMENTO DE REFORMA NA ALEMANHA
Extraído de:
Orlando G. de Pinho, Uma Luz que Alumia, São Paulo: Associação Paulista, 1976.
Este material foi publicado juntamente com o irmão Adalberto Simon, membro da Reforma por 40 anos.
A verdade dos fatos ocorridos
Relato histórico feito pelo Pr. R. Ruhling (Adventista) a D. Nicolici
(Reformista), em carta de 18 de julho de 1957. O Pr. Ruhling foi um dos secretários
de campo da AG em 1947. Uma cópia da referida carta foi enviada pelo Pr. Moysés
Nigri à Associação Paulista da IASD, e foi traduzida pelo Pr. Luiz Waldvogel.
“Prezado irmão Nicolici:
Algumas semanas atrás recebi vossa carta-circular impressa, com data de abril
de 1957, e penso que devo responder àquela parte quanto à qual estou absolutamente
habilitado a fazê-lo, isto é, sobre a origem do vosso movimento. Parece-me que se
trata de uma questão muito vital.
Fui secretário da União Este-Alemã, localizada em Berlim, de 1913 em diante.
Em 1920, por ocasião da discussão em Friendensau, anotei em taquigrafia tudo que
foi dito por ambas as partes e posteriormente o publiquei. E eu conhecia
pessoalmente as várias pessoas que iniciaram aquele movimento, assim como a
maioria dos líderes que se seguiram.
Na direita superior de vossa carta-circular acha-se impresso: “Originado em
1914”, e no segundo parágrafo publicastes o seguinte: “... Não foi senão por ocasião
da crise da primeira Guerra Mundial, em 1914, que se revelou claramente a
apostasia”. E, em vossa carta de 10 de maio de 1954, na pág. 3, dizeis de novo: “O
Movimento de Reforma, que veio à existência em resultado da crise que defrontou o
povo do Advento em 1914...”. Aqui dais o ano de 1914 como o princípio de vosso
movimento. Concluo que repetis isto por causa da declaração muito reiterada por
essas pessoas, sem conhecer os fatos.
Permiti que aqui vos diga francamente, como tenho muitas vezes feito, de viva
voz e pela pena, que isto é absoluta inverdade. A primeira Guerra Mundial rompeu
em 3 de agosto de 1914. Mas não havia, entre os membros da Igreja Adventista do
Sétimo Dia da Alemanha, absolutamente nada de opiniões divididas, quanto a
deverem ou não os irmãos participar da guerra. Este fato refuta também vossa
sentença: “A minoria que se opôs a esse compromisso dos líderes foi excluída da
igreja”. Isto é absolutamente inverídico. Acerca dos que foram excluídos escreverei
depois, mas deixai que prossiga...
Como disse, a Guerra iniciou-se em agosto de 1914. Passaram-se os meses de
agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Isto são 5 meses, mas em parte
alguma houve diferença de opinião, nada de protesto, nem perturbação, nem disputa e
2
nenhuma cisão em nenhuma de nossas igrejas, acerca dessa questão. Esse movimento
de reforma começou no princípio de janeiro de 1915, e surgiu sobre uma questão
inteiramente diversa, isto é, a visão que algumas pessoas alegavam ter recebido
acerca do fim do tempo da graça. Assim, repito: quando o chamado movimento
alemão de reforma começou, ela não envolvia a questão do porte de armas ou de
participar da guerra.
Dois membros leigos, conhecidos meus: J. Wick e o irmão Czukta, foram, com
muitos de nosso membros da igreja, recrutados para o exército alemão e mandados a
Berlim, para o treino básico. Aí esses dois homens recusaram deixar-se vacinar e
foram mandados para a prisão militar por 7 dias. Enquanto na prisão militar, J. Wick
afirmou ter tido uma visão, que ele escreveu e mandou para nossa casa publicadora
em Hamburgo, como o pedido de que fosse publicada em nosso órgão da igreja. A
casa publicadora recusou-se a publicá-la.
Quando esses dois homens foram soltos da prisão, desertaram do exército e
foram a Bremen, onde encontraram refúgio com o ancião da igreja. J. Wick coletou
dinheiro para publicar particularmente sua visão, e mandou um exemplar a quase
todos os membros da igreja e ministros da Alemanha. Afirmava ter recebido a visão
em 11 de janeiro de 1915 - visão na qual lhe foi mostrado que quando as árvores de
frutas de caroço (cerejas, ameixas, etc.) florescessem, na primavera (abril-maio),
terminaria o tempo de graça. Afirmava ter-lhe também sido mostrado que deveria
relatar sua visão aos irmãos líderes e, se não a aceitassem, estariam apostatados.
Aqui, acentuo novamente, nada havia nessa chamada visão, lida por mim
muitas vezes, acerca da guerra ou de nela participar. Tinha que ver tão-somente com
o fim do tempo da graça.
Os irmãos líderes na Alemanha declararam que essa visão ou era imaginário,
ou de Deus, ou do diabo. Visto como se demonstrou não ser verdadeira, por certo que
não era do céu, de maneira que se conclui ter sido ou imaginário ou do diabo. Este foi
o início do “movimento de reforma”.
Por esse tempo várias outras pessoas também afirmavam ter tido visões. Uma
delas, a irmã Kersting, membro leigo, afirmava ter tido, em fevereiro ou março de
1915, uma visão na qual recebera comunicação de que o tempo da graça terminaria
quando das árvores de frutas de caroço florescessem. Uma tal sra. Ziegler, também
membro leigo, declarava ter tido uma visão. Um ou dois outros também anunciaram
ter tido visões. Uma irmã, membro leigo, pertencente à igreja de um subúrbio de
Berlim, relatou à igreja a sua visão. Os membros da Comissão da Associação foram
falar com ela. Na entrevista disse ela que outrora praticara coisa como as de que trata
o chamado sexto e sétimo livros de Moisés (livro de fórmulas mágicas que
circulavam na Idade Média), e que, em resultado do que aprendera nesse livro, fora
ela capaz de realizar algumas curas. Estes chamados profetas, é evidente não tinham
então contato mútuo, e portanto não começaram a trabalhar em conluio uns com os
outros.
3
A primavera de 1915 veio e as árvores floresceram. E nada aconteceu. Durante
todo este tempo, na se disse acerca do porte de armas. A questão suscitada dizia
respeito à terminação do tempo de graça.
Os dois desertores do exército foram presos e condenados a cinco anos prisão.
O sr. Czukta faleceu na prisão. Quando o sr. Wick foi libertado, não continuou com
os chamados “reformadores”. Os outros falsos profetas arrebanharam simpatizantes
em vários lugares, como Berlim, Bremem, Hamburgo, Munique, etc. Renegaram
nossos irmãos líderes, porque não aceitaram como vindas de Deus as mensagens que
eles pretendiam ser de Deus. Apenas passado o tempo do florescimento, em 1915,
novas declarações foram, pelos falsos profetas, espalhadas quase semanalmente,
estabelecendo o dia 10 de maio de 1915 como data da terminação do tempo de graça.
Passada esta data, marcou-se outro tempo. Mudaram suas datas cinco ou seis vezes.
Isto habilitou nossos irmãos a ver a insensatez de crer nestes falsos profetas.
Então aconteceu algo diferente. Na Saxônia nossas igrejas foram fechadas e
fomos proibidos de realizar reuniões.
Quando rompeu a guerra, em agosto de 1914, o Pr. H. F. Schuberth fez ao
governo alemão, em Berlim, declaração de que nossos irmãos haviam sido
aconselhados a portarem armas na guerra. E no princípio do verão de 1915 foi pelos
pastores L. R. Conradi, H. F. Schuberth e P. Drinhaus apresentada ao governo alemão
uma segunda declaração acerca do porte de armas. Nela se fazia referência à
declaração do Pr. Schuberth no ano anterior. Em resultado disso, suspendeu-se a
interdição de nossa obra na Saxônia.
Os fanáticos conseguiram um exemplar do documento que esses irmãos
apresentaram ao governo e usaram-no para fomentar rebelião contra os líderes de
nossa obra na Alemanha. Nenhum obreiro empregado da denominação tomou parte
nisso. Um dos líderes da facção rebelde foi um tal sr. Richter, outrora ancião da igreja
de Bremem. Eles - os fanáticos - começaram a denunciar a igreja como tendo caído e
se tornado Babilônia, e insistiam com os irmãos, particularmente com os seus
simpatizantes, a que saíssem de nossas igrejas. Foi nesse tempo que os chamados
“reformadores” começaram a assumir a atitude de que nossos irmãos não deviam
portar armas na guerra. Organizaram-se grupos que se reuniam à parte. Seus líderes
viajavam de um lugar a outro. Alguns de seus seguidores recusavam-se a atender à
convocação para o serviço militar. E quando alguns de nossos irmãos, consultados
pela polícia, disseram o que deles sabiam, os “reformadores” clamavam que estavam
sendo perseguidos pela denominação. Começaram a propagar seus pontos de vista em
publicações impressas.
Tanto quanto me possa lembrar, nenhum de nossos ministros ordenados, na
Alemanha, se uniu a essa rebelião “reformista” durante o período de guerra.
Terminada a guerra, em novembro de 1918, alguns ministros jovens, não
ordenados ainda, uniram-se aos “reformadores”. Um deles foi Henry Spanknöbel,
com seu irmão Karl Spanknöbel. Mais tarde, quando surgiram na Alemanha os
nazistas, Henry se lhes uniu. Os nazistas enviaram-no, com uma missão especial, aos
Estados Unidos. Quando se suspeitou de que o FBI estivesse à procura de Henry, o
4
embaixador alemão em Washington ocultou-o e o mandou a Nova Iorque, de navio, e
dali para a Alemanha. O FBI vasculhou o navio mas não o encontrou.
Os dois irmãos tornaram-se preeminentes e ativos como primitivos líderes do
“movimento da reforma”. Henry era orador eficiente. Ambos - ele e Karl - serviram
no exército alemão na Primeira Guerra, e só depois da guerra é que se uniram ao
“movimento”. Henry desapareceu misteriosamente e seu paradeiro é desconhecido.
Karl está agora [em 1957] nos Estados Unidos e atribui-se a si mesmo o título de
“Nobre”. Um sobrinho seu, Pr. J. N. Noble é um dos nossos ministros em Dacota do
Sul.
De 21 a 23 de julho de 1920 realizou-se em Friendensau, Alemanha, uma
reunião à qual assistiram líderes da Associação Geral, como os pastores A. G.
Daniels, F. M. Wilcox, M. E. Kern, L. H. Christian. Foi quando o Pr. Christian
assumiu seus deveres de presidente da Divisão Européia, tendo sido eleito a esse
posto, na sessão prévia da Associação Geral.
O líder dos “reformadores” era então o sr. Dörschler, que fora anteriormente
ancião de uma de nossas igrejas, mas não obreiro denominacional. Instalaram sua
sede central em Würzburg, sul da Alemanha, onde imprimiram suas publicações.
Tinham denunciado a obra da Cruz Vermelha como sendo do diabo, e isto admitiram
na reunião de Friendensau, porque nós havíamos aconselhado nossos homens a
servirem no corpo médico durante a guerra.
O Pr. Daniells e seus associados da AG trataram instantaneamente com os
irmãos dissidentes, procurando reavê-los. O Pr. Daniells explicou com muito cuidado
nossa posição denominacional na questão do porte de armas em tempo de guerra. Foi
também explicado que os líderes de nossa obra na Alemanha havido cometido um
erro em aconselhar nossos irmãos a portarem armas na Primeira Guerra. Depois de
haverem ouvido a explanação da atitude denominacional assumida por nossos irmãos
quanto ao assunto, os líderes de nossa obra na Alemanha de pronto reconheceram
haverem errado.
Visto como os “reformadores” em suas publicações nos chamavam de
“Babilônia”, não podíamos por mais tempo tolerá-los em nossas igrejas, e os
excluímos. Qualquer organização teria feito a mesma coisa. Mas, que incoerência.
Primeiro nos chamavam “Babilônia”, da qual deviam sair, e depois, quando os
excluímos, clamavam estar sendo perseguidos pela denominação. Por que não
queriam ser excluídos de “Babilônia”? Ou julgavam poder fazer uma propaganda
mais eficaz enquanto diziam ser membros da igreja?
Agora, tendo-lhe eu escrito esta declaração absolutamente verdadeira, poderei
esperar que mudeis vossas afirmações acerca de 1914?
Porventura, qualquer dos líderes antigos, depois de deixar o “movimento”,
alguma vez repudiou seus atos antigos e confessou seus erros? Permiti que vos dê
uma ilustração: Em 1926, na Assembléia da AG em Milwaukee, encontrei-me com
Karl Spanknöbel, muito meu conhecido, e que fora um dos líderes do movimento.
Disse-me ele: “Irmão Ruhling, estando eu agora nos Estados Unidos e tendo
5
aprendido a língua inglesa e começado a ler os Testemunhos, estou convencido de
que não tínhamos razão alguma para nosso movimento de Reforma”. Ora, confessou
ele qualquer de seus erros e arrependeu-se do dano que causou à nossa denominação?
Ou porventura se uniu de novo à igreja? Não. Vive ainda em Detroit mas não é
membro da denominação. Ou porventura os que coletaram dízimos e ofertas de
nossos membros da igreja, alguma vez os devolveram ou confessaram seu erro?
Confessaram jamais o seu erro de em público nos chamarem de “Babilônia”?
Uns dez ou doze anos atrás, numa reunião campal em Lodi, Califórnia,
encontrei-me com um jovem que afirmou saber de tudo o que acontecera na Europa
quanto à origem do movimento ao qual ele pertencia. Perguntei-lhe qual a sua idade.
Vi que em 1914 ele não era nascido, no entanto pretendia saber de tudo. Eu lhe disse
que ele nada sabia. Ou o que sabia, aprendera-o dos falseados escritos de algum dos
“reformadores”. Disse-lhe que devia ir para a casa estudar a Bíblia e os escritos do
Espírito de Profecia, e deixar de pregar falsidades, e aprender a proclamar a verdade.
Assim, se sois sincero, como em vossa carta afirmais, espero muito
sinceramente que haveis de fazer algumas correções, pelo menos, quando publicardes
nova carta-circular.
Muito sinceramente vosso.
R. RUHLING”
1
ASPECTOS DA HISTÓRIA DO MOVIMENTO DE REFORMA
Extraído de:
Orlando G. de Pinho, Uma Luz que Alumia, São Paulo: Associação Paulista, 1976.
Este material foi publicado juntamente com o irmão Adalberto Simon, membro da Reforma por 40 anos.
Conforme relatado por Albert Müller, ex-pastor reformista e, hoje [1976],
membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Alemanha. Traduzido e cedido pelo
irmão Francisco Palfi, ex-obreiro da Reforma.
Uma História de 50 Anos
Em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial, realizou-se em Erfurt, a
primeira Conferência do Movimento de Reforma. Naquele tempo o nome era
“Sociedade Missionária Internacional dos Adventistas do Sétimo Dia”. O nome
“Movimento de Reforma” foi adotado somente em 1922. As conferências seguintes
realizaram-se em Magdeburg, Wurzburg, Frankfurt, Bebra e Gotha.
Dois anos depois da Primeira Guerra, o Senhor concedeu oportunidade aos
irmãos do “Movimento” de entrevistarem-se com os irmãos da Associação Geral, o
seu presidente, irmão Daniells, e os irmãos dirigentes das três Uniões Alemãs. Esta
entrevista realizou-se de 21-23 de julho de 1920, em Friendensau. Do relatório oficial
descrito no Protocolo, nota-se que o irmão Deniells esforçou-se ao máximo para
conseguir uma reconciliação e união entre as duas partes. Tudo se centralizou na
dureza de coração, e posteriormente se comprovou que os irmãos representantes da
Reforma não desejavam a reconciliação. Quando um irmão, depois da oração do
irmão B., em favor da união, respondeu em voz alta “Amém!”, foi repreendido por
outro pela sua atitude. Esta atitude trouxe um futuro bem difícil para aqueles irmãos.
No ano de 1922, realizou-se em São Francisco a Assembléia da Associação
Geral da Igreja Adventista. Para esta foram enviados dois irmãos do Movimento de
Reforma, mas por falta de motivos não houve entrevista. Depois do encontro de
Friendensau, em 1920, os irmãos reformistas continuaram com maior ímpeto sua obra
de perturbação e acusação nas igrejas, qualificando-as de “Babilônia”.
Graves crises e perturbações com os seus resultados acompanharam o
Movimento de Reforma, por meio do fanatismo, desunião, ensinos e opiniões
discordantes, e outras sem valor e inúteis. Em 1916, veio uma sacudidura por meio do
Movimento das Cabanas, segundo Zac. 14:16-19, que ainda subsiste, dividido em
várias ramificações. Apareceu também a assim chamada “Terceira Parte”, os
Antiquadristas, segundo Zac. 13:9; também desta restou um remanescente.
Levantaram-se irmãos procurando introduzir um sistema de 12 apóstolos e, baseado
em Apoc. 18:4, apareceu um quinto agente lutador. Com diversas idéias e
pensamentos fanáticos e extremistas, até hoje o Movimento de Reforma está
perturbado, conforme se nota em sua literatura e na Revista extra de 1919.
As mencionadas conferências realizadas em Magdeburg, Würzburg, Frankfurt,
Bebra e Gotha, testemunharam a desunião e as controvérsias. Em Würzbur, separouse
o território Suíço e, em Bebra, em 1924, foi excluído o território Norte-Alemão,
2
que se organizou como Movimento de Reforma e, depois de alguns anos, se
dissolveu.
A primeira assembléia ordinária da Associação Geral Reformista, para a qual
afluíram representantes de vários países europeus, realizou-se em 1925, em Gotha,
em conseqüência da contínua desunião entre os dirigentes da União Alemã. Nesta
ocasião foram elaborados e publicados os “Princípios de Fé”, os mesmo que até hoje
são motivos de discórdias, discussões e debates e, em certas ocasiões, até recusa de
alguns parágrafos. Em particular o parágrafo 16 é o ponto mais debatido. Ele se
refere ao “Alto Clamor”, conforme Apoc. 18:1-4, que devia dar ao Movimento uma
base profética. Porém, todo aquele que estudar o capítulo “A Última Advertência”, do
Conflito dos Séculos, compreenderá que esta obra ainda está no futuro, e não
começou há quase 50 anos atrás [lembrando que este material foi escrito em 1976].
Por adquirir, em 1926, um novo centro missionário, a sede do Movimento de
Reforma foi transferida de Würzburg para Isernhagen, próximo de Hanover. Foi
instalada uma tipografia própria e deu-se início à colportagem, com Tratados e
literatura missionária.
Depois de um breve tempo de calma, surgiram contendas entre as famílias dos
irmãos dirigentes que residiam na sede da Obra. Os resultados foram exclusões da
igreja e o surgimento de mais um novo “Movimento de Reforma”, com sede em
Saarbruken. Depois de seis anos, este Movimento dissolveu-se. A maioria dos
membros deste Movimento uniram-se à Igreja Adventista.
Em 1934 realizou-se uma Assembléia da Associação Geral do Movimento de
Reforma, em Budapest (Hungria). Nesta reunião foi decidida e feita uma mudança na
direção do Movimento. Esta mudança causou grave contenda com os irmãos da
América do Norte, e estas desavenças continuaram por muitos anos.
Em abril de 1936, na Alemanha, o Movimento foi proibido e dissolvido.
Depois da Segunda Guerra, os diversos grupos reformistas na Alemanha e em
outros países uniram-se. Novos centros missionários foram estabelecidos em
Solingen e Esslingen, no Nockar. Surgiram contendas e divergências na comunidade,
que resultaram em exclusões. Mais uma vez estabeleceu-se uma nova organização de
reformistas, com o nome que existe ainda hoje.
Para o ano de 1948 preparou-se uma assembléia da Associação Geral, que se
realizou em Den Haag, na Holanda. Dois irmãos, logo no início, tentaram apoderar-se
da direção. Foram examinados por uma comissão e declarados “rebeldes”. Eles
reconheceram o erro. Houve uma reorganização na Associação Geral e a sede foi
transferida para os Estados Unidos. Para isto foi adquirida uma propriedade em
Sacramento, Califória, e estabelecida uma nova sede missionária.
Poucas semanas depois, um dos irmãos dirigentes separou-se, iniciando sua
própria obra. Neste mesmo ano, a União Norte-Americana foi excluída da
comunidade do Movimento, pelo presidente e secretário da Assembléia Geral. E
assim se estabeleceram dois Movimentos de Reforma nos EUA.
No ano de 1949, foi estabelecido, em Speele, Alemanha, uma nova sede
missionária, e junto a esta, uma Escola Missionária. Esta mesma sede encontra-se
hoje [1976] em Jagsthausen, perto de Heilbron, no Nockar. A propriedade em Speele
foi transformada num asilo de velhos.
3
No ano de 1951, foi convocada a Assembléia da Associação Geral, em Utrecht,
Holanda. Desuniões e separações foram os resultados entre os irmãos dirigentes,
depois de dias de contendas e debates pela posse das mais altas posições. E o
resultado foi uma divisão geral no Movimento.
Desde 1951 existem duas Associações Gerais dos reformistas. Ambas as partes
aceitaram os Princípios de Fé de 1925. Acusam-se mutuamente de apostatarem destes
princípios e se empenharam numa luta fora dos limites cristãos. Surgiu a contenda em
torno do nome e posse da propriedade adquirida em Sacramento, EUA. Ambas as
partes reclamavam para si o mesmo nome e propriedade. Iniciou-se uma ação perante
a justiça, em Sacramento, que deveria decidir qual das partes teria direito. Mas a
queixa foi retirada na sala de audiência, antes do início judicial.
A primeira Assembléia Geral da nova organização realizou-se em 1955, em
São Paulo, Brasil. Apesar dos esforços de diversos irmãos e delegados a favor da
reconciliação e união entre os dois “Movimentos”, não chegaram a um acordo.
Cinco anos depois da desastrosa Assembléia em Utrecht, realizou-se em 1956,
em Speele, Alemanha, outra Assembléia do antigo Movimento de Reforma. Nesta
surgiram novamente debates, durante vários dias, em torno do parágrafo 18 dos
Princípios de Fé. É o debatido parágrafo do matrimônio, que desde o início foi a
causa de inúmeras contendas. O parág. 16 também foi abordado.
Na direção, efetuou-se uma mudança que resultou em novas discórdias. Na
assembléia de 1960, na Holanda, surgiu novamente um grande debate e discussões
em torno dos Testemunhos da irmã E. G. White. Tratava-se dos que não foram
publicados enquanto ela vivia. São as Cartas e Manuscritos, que podem ser
encontrados e vistos no Arquivo da Associação Geral da IASD, em Washington,
onde são cuidadosamente guardados. Estes Testemunhos foram publicados nos livros
Evangelismo (1946), Lar Adventista (1952) e Mensagens Escolhidas, livros 1 e 2
(1958). Duvidou-se de muitos Testemunhos. Mediante esta posição assumida, o
Movimento de Reforma condenou-se a si mesmo.
A última Assembléia Geral Reformista [antes da publicação deste material]
realizou-se em 1966, em Obendorf, Alemanha. Surgiram debates e discussões em
torno do parág. 16 dos Princípios de Fé, se a IASD é “Babilônia” ou apenas uma
parte dela. Com poucos votos contrários, foi novamente confirmada a posição
anterior: Babilônia. É lamentável que este erro continue a ser sustentado, porque a
irmã White afirma positivamente o que significa Babilônia e a quem se aplica.
Um balanço depois de 50 anos
Depois de 50 anos de trabalho, desde a primeira conferência em 1919, notouse,
nos países mencionados, visíveis progressos. Porém, a grande e mundial divisão,
em 1951, contribuiu para o declínio e fim do progresso do Movimento de Reforma. O
tempo, o trabalho e os meios foram em grande parte empregados numa guerra mútua
entre irmãos. Os esforços das duas Assembléias Gerais dos Reformistas, para uma
conciliação e união, até hoje [1976] falharam. Apenas em combater a IASD eles estão
unidos e de acordo, assim como foram Pilatos e Herodes contra Jesus. Tal sintonia
merece consideração.
4
A tarefa principal da igreja - a salvação de almas - tornou-se assunto de pouca
importância. Durante os últimos anos, muitos irmãos, entre estes, presidentes,
pastores e diversos outros funcionários do Movimento de Reforma, aderiram ao
Movimento Adventista. Estão agora felizes e unidos na profetizada Obra de Deus.
Existem países, cidades e vilas, onde outrora se encontravam florescentes igrejas e
grupos da Reforma, em que hoje quase não se encontra reformista algum. A
dissolução continua sem parar. Em alguns lugares surgiram mais outros fragmentos e
até famílias dividiram-se em vários partidos.
...
Minhas carinhosas saudações.
Vosso
ALBERT MÜLLER
1
O Movimento Reformista de 1914 e Posteriores
PARTE III
AS PRINCIPAIS DOUTRINAS DOS REFORMISTAS
A maioria dos ensinos dos reformistas são semelhantes aos da Igreja
Adventista. Porém, em alguns pontos há uma total discrepância com as orientações
bíblicas e do Espírito de Profecia.
a) Abstenção de alimentos cárneos como prova de comunhão
Na Reforma, uma pessoa só pode ser batizada se deixar de se alimentar de
carne de qualquer tipo (vermelha, peixe, frango, etc.). No caso de um membro da
Reforma que for descoberto se alimentando de carne, o mesmo pode ser
disciplinado ou até excluído da igreja.
Mas, onde está escrito isso na Bíblia? Apesar de ser correto a orientação
de que o povo de Deus deve procurar uma alimentação mais saudável, livre da
carne, não podemos fazer disso um ponto de salvação, pois nem a Bíblia nem o
Espírito de Profecia falam isso (cf. Gn 9:1-4; Lv 11:1-47; Mt 14:13-21; 15:29-
39; Jo 21:1-3). Estes textos não defendem o uso da carne, mas mostram que esta
questão não tem nada que ver com salvação.
No caso de Ellen White, ela deixou de comer carne após a visão da reforma
de saúde, que teve em 1863, mas nunca ensinou que todos deveriam ser obrigados a
fazer o mesmo.
“A questão acerca de se devemos comer manteiga, carne ou queijo não deve
ser apresentada a quem quer que seja, mas devemos educar as pessoas, mostrando
os males das coisas que são censuráveis” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 287).
“Os que têm vivido com regime cárneo toda vida, não vêem o mal de continuar
nesta prática, e tem de ser tratados com brandura” (Conselho sobre Regime
Alimentar, p. 62). Este conselho foi dado em 1895, 32 anos após a visão.
“Tanto maior a necessidade de usar de prudência com a questão de comer
carne. Com relação a este assunto não deve haver movimentos precipitados.
Devemos considerar a situação do povo, e o poder de hábitos e práticas de vida
inteira, e devemos ser cautelosos em não impor aos outros nossas idéias, como se
esta questão fosse um teste, e os que comem carne fossem os maiores pecadores”
(Idem, p. 462).
“Não nos compete fazer do uso da alimentação cárnea uma prova de comunhão;
devemos, porém, considerar a influência que crentes professos, que fazem uso da
carne, têm sobre outras pessoas” (Idem, p. 404 – manuscrito de 1909).
Ellen White escreveu muitos textos duros sobre o comer carne. Mas nunca fez
disso uma prova de comunhão, ou uma obrigação a ser seguida para quem desejasse
o batismo. Todos devem procurar viver à luz da reforma de saúde, para poderem
permanecer entre o povo de Deus nos dias finais da História.
“Muitos que são agora só meio convertidos quanto à questão de comer carne,
sairão do povo de Deus, para não mais andar com eles” (Conselhos sobre Regime
Alimentar, p. 382).
b) Doutrina dos 144.000
Os reformistas crêem que só serão salvos, dentro da mensagem do 3° anjo,
144.000 pessoas, e que a grande multidão são aqueles que não tiveram
conhecimento desta mensagem. Ou seja, para eles, os que foram salvos de Abel até
1844 fazem parte da grande multidão; e os 144.000 são as pessoas que foram fiéis
à mensagem de 1844 para cá. Isso quer dizer que, os que conhecem a mensagem do
3° anjo só se salvarão se estiverem dentro dos 144.000.
Veja que em João 3:16, não diz que há um número específico de salvos, mas
todo aquele que crer será salvo. Apocalipse 22:17 também afirma que todos os que
quiserem podem vier a Cristo, e receberem graça.
“Outra questão sobre a qual conversamos um pouco, foi a respeito dos
eleitos de Deus – que o Senhor teria um número certo, e quando esse número se
completasse, cessaria o tempo da graça. Estas são questões sobre as quais vós,
ou eu, não temos o direito de falar. O Senhor Jesus receberá a todos os que
2
vierem ter com Ele. Morreu pelos injustos, e toda pessoa que quiser vir, poderá
fazê-lo” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 315).
“Cristo diz que haverá na igreja pessoas que apresentarão fábulas e
suposições, quando Deus deu verdades grandes, inspiradoras e de molde a
enobrecer, as quais devem ser sempre conservadas no tesouro da memória. Quando
os homens apanham esta e aquela teoria, quando são curiosos de saber alguma
coisa que não lhes é necessário saber, Deus não os está conduzindo. Não é plano
dEle que Seu povo apresente alguma coisa que eles supõem, a qual não é ensinada
na Palavra de Deus. Não é Sua vontade que eles se metam em discussões acerca de
questões que os não ajudam espiritualmente, tais como: Que pessoas vão
constituir os cento e quarenta e quatro mil? Isto, aqueles que forem os eleitos
de Deus hão de sem dúvida, saber em breve. Meus irmãos e irmãs, apreciai e
estudai as verdades que Deus vos tem dado, a vós e a vossos filhos. Não gasteis
o tempo buscando saber aquilo que não vos será de proveito espiritual. "Que
farei para herdar a vida eterna?" Luc. 10:25. Esta é a todo-importante questão,
e foi claramente respondida” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 174-175).
“Não tenho luz sobre o assunto [de quem constitui os 144.000]... Tenha a
bondade de dizer a meus irmãos que nada me foi apresentado acerca das
circunstâncias a que escrevem, e só lhes posso expor aquilo que me foi
apresentado” (Mens. Escolhidas, vol. 3, p. 51).
DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO
Os reformistas dizem que, uma vez que alguém se casou, o único e exclusivo
motivo pelo qual um dos cônjuges poderá contrair novas núpcias é com o
falecimento do outro cônjuge. Eles crêem que mesmo em caso de adultério, a parte
inocente não poderá contrair novas núpcias até que a parte culpada venha a
morrer.
Eles fazem algumas interpretações equivocadas de Mateus 19:9: “Eu, porém,
vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais
ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada
comete adultério”.
1) A reforma de 1951 lança, até mesmo, dúvidas sobre a originalidade deste
verso. Vejamos o que eles ensinam em seus panfletos:
“Se a cláusula de exceção realmente pertence ao original, Jesus Se referiu
ao problema da fornicação, como freqüentemente aparecia na sociedade judaica”
(extraído do folheto “É o casamento um contrato vitalício?”, p. 6, série
laodicéia, n° 8).
2) Outra posição é a de que o texto de Mt 19:9 permite o divórcio, mas não
o novo casamento.
“Do ponto de vista puramente gramatical, pode-se dizer que pela cláusula de
exceção é permitido ao marido inocente repudiar a mulher culpada, mas não se
pode dogmatizar que, pela mesma cláusula, ele tem permissão de casar novamente”
(mesmo folheto citado anteriormente, p. 16).
3) Eles também acreditam que a cláusula de exceção de Mt 19:9 aplica-se a
um casal que não está casado legalmente.
“Numa situação em que este pecado está presente, Mateus 19:9 poderia ser
entendido como segue: ‘Eu, porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher (a não ser
que não esteja legalmente casado, mas vivendo em fornicação) e casar com outra,
comete adultério’” (idem, p. 20).
4) Por não acreditar no claro texto bíblico, nem nas palavras do Espírito
de Profecia, os reformistas dão também a explicação de que Mt 19:9 está falando
de uma infidelidade ocorrida antes do casamento.
“Quer a infidelidade ou fornicação de uma prometida esposa se descobrisse
antes ou logo após o casamento mesmo, o marido inocente estaria livre para
repudiá-la, de acordo com a previsão ocorrida na lei de Moisés” (idem, p. 19).
É importante verificar que na linguagem bíblica, as palavras
“infidelidade”, “adultério”, “prostituição”, “relações sexuais ilícitas”,
“fornicação” têm o mesmo sentido, pois todas provêm da palavra grega PORNÉIA
(cf. Mt 5:32; 15:19; 19:9; Mc 7:21; Jo 8:41; At 15:20, 29; 21:25; 1Co 5:1; 6:13,
3
18; 7:2; 2Co 12:21; Gál. 5:19; Ef 5:3; Col. 3:6; 1Ts 4:3; Ap 2:20-21; 19:2;
etc.).
Tanto a Bíblia quanto o Espírito de Profecia nos mostram que, em caso de
infidelidade sexual entre casados, a parte inocente tem o direito diante de Deus
de divorciar-se legalmente e contrair novas núpcias. A base bíblica está em
Mateus 5:32 e 19:9. Já o Espírito de Profecia confirma isso, ao interpretar
“prostituição” como “infidelidade” ou “adultério”. Vejamos:
“No Sermão do Monte, Jesus declarou plenamente que não podia haver
dissolução do laço matrimonial, a não ser por infidelidade do voto conjugal.
‘Qualquer’, disse Ele, ‘que repudiar sua mulher, a não ser por causa de
prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada
comete adultério’ Mat. 5:32” (O Maior Discurso de Cristo, p. 63).
“Uma mulher pode estar legalmente divorciada do marido pelas leis do país,
mas não divorciada à vista de Deus e de acordo com a lei mais alta. Só há um
pecado, o adultério, que pode pôr o esposo e a esposa em posição de se sentirem
livres do voto matrimonial à vista de Deus. Embora as leis do país possam
permitir o divórcio, à luz da Bíblia continuam como marido e esposa, segundo as
leis de Deus. Vi que a irmã ------, por ora, não tem direito de desposar outro
homem; mas se ela, ou qualquer outra mulher, obtiver um divórcio legal na base
de adultério por parte do marido, então está livre para casar com quem quiser”
(O Lar Adventista, p. 344).
A reforma de 1951, e suas afilhadas, não se conformando com o que Ellen
White escreveu, afirmam que ela escreveu estes textos apenas apresentando
conselhos com base no seu parecer pessoal sobre o assunto, mas sem estar falando
por inspiração de Deus nesta questão.
Em oposição a estes pensamentos equivocados, a própria Ellen White escreveu
o seguinte:
“Não escrevo nenhum artigo expressando meramente minhas próprias idéias.
Eles são o que Deus me expôs em visão - os preciosos raios de luz que brilham do
trono... Fraca e tremendo, levantei-me às três horas da madrugada para escrevervos.
Deus estava falando através da argila. Talvez digais que esta comunicação
apenas era uma carta. Sim, era uma carta, mas induzida pelo Espírito de Deus, a
fim de apresentar à vossa mente as coisas que me foram mostradas. Nestas cartas
que escrevo, nos testemunhos que apresento, transmito-lhes aquilo que o Senhor
me apresentou” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 50).
O ANJO DE APOCALIPSE 18
A Igreja da Reforma afirma que eles representam o anjo de Apocalipse 18, ou
seja, eles seriam o “4° Anjo”. Segundo sua interpretação, a Igreja Adventista é
o 3° anjo, que caiu, e por isso se fez necessário a vinda do 4° anjo, para dar
“reforço” à mensagem. Vejamos, porém, alguns detalhes:
1°) O 3° anjo não cai, mas vai até o fim.
“O terceiro anjo a voar pelo meio do céu, e anunciando os mandamentos de
Deus e o testemunho de Jesus, representa nossa obra. A mensagem não perde nada
de sua força no vôo progressivo do anjo; pois João o vê crescendo em resistência
e poder até que a Terra inteira seja iluminada por sua glória. A carreira do
povo que guarda os mandamentos de Deus é para a frente, sempre para a frente”
(Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 169).
2°) O anjo de Apoc. 18 se une ao 3° anjo.
Os dois anjos não fazem uma obra de separação (como fazem os reformistas,
até mesmo entre eles), mas uma obra em união.
“Vi, então, outro poderoso anjo comissionado para descer à Terra a fim de
unir sua voz com o terceiro anjo, e dar poder e força à sua mensagem” (Primeiros
Escritos, p. 277).
4°) O anjo de Apoc. 18 ilumina TODO o mundo.
“Grande poder e glória foram comunicados ao [quarto] anjo, e, descendo ele,
a Terra foi iluminada com sua glória. A luz que acompanhava este anjo penetrou
por toda parte, ao clamar ele poderosamente, com grande voz: ‘Caiu! Caiu a
grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito
imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível!’ Apoc. 18:2” (Idem).
4
“O anjo que se une na proclamação da mensagem do terceiro anjo, deve
iluminar a Terra toda com a sua glória. Prediz-se com isto uma obra de extensão
mundial e de extraordinário poder” (O Grande Conflito, p. 611).
Ao contrário da profecia, o movimento de reforma tem uma débil atuação
mundial, inclusive com expressiva redução do número de membro ao longo dos anos,
o que já citamos anteriormente neste estudo.
5°) A obra do 4° anjo virá junto com o poder da chuva serôdia.
“Não tenho nenhum tempo específico de que falar, no qual tenha lugar o
derramamento do Espírito Santo - quando o poderoso anjo descer do Céu, e se unir
com o terceiro anjo na conclusão da obra para este mundo; minha mensagem é que
nossa única segurança é estarmos prontos para o refrigério celeste, tendo nossas
lâmpadas preparadas e ardendo” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 192).
“A chuva serôdia deve cair sobre o povo de Deus. Um poderoso anjo virá do
céu, e a Terra toda será iluminada com sua glória” (O Ritual do Santuário, p.
304, originalmente citado na Review and Herald, 21/04/1891).
Fica muito claro que o Movimento de Reforma NÃO representa o anjo glorioso
de Apocalipse 18.
TEXTOS MAL INTERPRETADOS OU DISTORCIDOS DE SEU CONTEXTO
Uma tática muito usada pelos reformistas é isolar pequenas porções dos
Testemunhos de Ellen White, para tentar provar que a Igreja Adventista do Sétimo
Dia apostatou completamente, e foi rejeitada por Deus.
Para desfazer esta falsa afirmação, apresentamos alguns textos escritos
quase no final de sua vida, no qual ela afirma sua confiança na direção da
Igreja Adventista:
“Oro com fervor para que o trabalho que fazemos agora fique profundamente
gravado no coração e mente e alma. Aumentarão as perplexidades; mas como crentes
em Deus, animemo-nos uns aos outros. Não abaixemos a norma, mas mantenhamo-la
bem elevada, olhando para Aquele que é o autor e consumador da nossa fé. Quando
à noite não consigo dormir, elevo o coração a Deus em oração, e Ele me
fortalece, e me dá a certeza de que está com os Seus servos ministradores no
campo nacional e em terras distantes. Cobro ânimo e sinto-me abençoada ao
reconhecer que o Deus de Israel ainda está guiando o Seu povo, e continuará com
eles até ao fim” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 439 – mensagem apresentada no
Boletim da Conferência Geral, de 27/05/1913).
“Ao recapitular a nossa história passada, havendo revisado cada passo de
progresso até ao nosso nível atual, posso dizer: Louvado seja Deus! Ao ver o que
Deus tem realizado, encho-me de admiração e de confiança na liderança de Cristo.
Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que
o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado” (Test.
Seletos, vol. 3, p. 443 – escrito originalmente em 1915).
Vimos nesta série de estudos sobre o Movimento de Reforma na Igreja
Adventista do Sétimo Dia, que esta divisão não foi autorizada nem inspirada por
Deus. Aqueles que estavam descontentes com questões administrativas, buscaram
argumento pseudo-doutrinários para ampararem sua rebelião.
Podemos, confiantemente, crer que o Senhor permanece ainda com Sua amada
Igreja Adventista do Sétimo Dia, e assim o será até o fim dos tempos.
Prof. Gilson Medeiros
http://prgilsonmedeiros.blogspot.com
Adaptação de material do Pr. Benildo Gabriel dos Santos,
ex-Vice-Presidente da Associação Reformista no Brasil,
atual Pastor Adventista do Sétimo Dia.
1
O Movimento Reformista de 1914 e Posteriores
PARTE II
A VERDADEIRA E A FALSA REFORMAS
a) Características da Verdadeira Reforma entre o Povo de Deus:
“É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando essa
reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da Igreja o
espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã,
chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe de maneira
devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação do
Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o
Espírito” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 254-255).
“Em visões da noite passaram perante mim representações de um grande
movimento reformatório entre o povo de Deus. Muitos estavam louvando a Deus. Os
enfermos eram curados e outros milagres eram operados. Viu-se um espírito de
intercessão tal como se manifestou antes do grande dia de Pentecostes. Viam-se
centenas e milhares visitando famílias e abrindo perante elas a Palavra de Deus.
Os corações eram convencidos pelo poder do Espírito Santo e manifestava-se um
espírito de genuína conversão. Portas se abriam por toda parte para proclamação
da verdade. O mundo parecia iluminado pela influência celestial. Grandes bênçãos
eram recebidas pelo fiel e humilde povo de Deus. Ouvi vozes de ação de graças e
louvor, e parecia haver uma reforma como a que testemunhamos em 1844”
(Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 345).
“Antes de os juízos de Deus caírem sobre a Terra, haverá entre o povo do
Senhor tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os
tempos apostólicos. O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus
filhos” (O Grande Conflito, p. 466, 27ª ed.).
Vemos que as características da verdadeira reforma são:
1. Banir da Igreja o espírito de discórdia e luta;
2. O espírito de oração atuará em cada crente;
3. Não haverá confusão;
4. Todos estarão em harmonia com o Espírito;
5. As barreiras que separam um crente do outro serão derrubadas;
6. Os servos de Deus falarão as mesmas coisas;
7. Os enfermos serão curados, e outros milagres serão operados;
8. Haverá espírito de intercessão, como no Pentecostes;
9. Milhares serão vistos abrindo a Palavra de Deus nos lares;
10. É um grande movimento;
11. Acontecerá entre o povo de Deus. Não será uma “nova igreja”;
12. Se manifestará o espírito de genuína conversão;
13. O mundo será iluminado pela influência celestial;
14. Haverá uma reforma completa, não apenas parcial.
Pode-se verificar claramente que o movimento reformatório, profetizado por
Ellen White, ainda não aconteceu; está no futuro. Seu início se dará com o
derramamento do Espírito Santo (a chuva serôdia), e só participarão os que já
estiverem praticando uma reforma individual, desde agora.
Observemos que a senhora White viu um “movimento reformatório” entre o povo
de Deus (a Igreja Adventista do Sétimo Dia), e não uma outra “igreja”, chamada
“movimento de reforma”, ou “completa reforma”, ou seja lá que nome derem...
A verdadeira reforma acontecerá dentro da Igreja, mas as falsas “reformas”
ocorrem em movimentos separatistas, isolados, fora do corpo organizado de
Cristo. Ellen White faz sérias advertências aos que agem dessa maneira:
“Quando alguém se afasta do corpo organizado do povo que observa os
mandamentos de Deus, quando começa a pesar a Igreja em suas balanças humanas e a
2
acusá-la, podeis saber que Deus não o está dirigindo. Ele se encontra no caminho
errado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 18).
Muito cuidado aos que gostam de criticar a Igreja e apontar apenas os
erros! Deus não os está guiando...
A VERDADEIRA REFORMA É UM MOVIMENTO GRANDE E MUNDIAL
O movimento profetizado por Ellen White é um grande reavivamento, que
ilumina o mundo, não um pequeno movimento, como as reformas que têm surgido por
ai. Para se ter uma idéia, quando a Reforma de 1914 surgiu, tinha 2000 membros
na Alemanha, conforme a declaração feita na Ata da Conferência Geral da Reforma,
em 1993, realizada em Quito, Equador, na qual o Pr. Benildo Gabriel participou
como delegado do Brasil.
“En Alemania habia al principio dos mil miembros” (Acta de la Sesion de la
Conferencia General del 08-03-1993, em Quito, Equador, p. 8).
É interessante notar que, quando foi apresentado o relatório do número de
membros na Alemanha, em 1993, após cerca de 80 anos do surgimento da Reforma,
foi relatado apenas 559 membros, e isto somando-se Alemanha, Áustria, Suíça e
Polônia. Em vez de crescer (como aconteceu com a IASD) o movimento diminiu...
“Union Alemania. El hermano A. Di Franca presento el informe. A la union
pertencen tres asociaciones: Alemania, y Austria, y Suiza, y Polonia como campos
missioneros. La membresia el 31-12-1992 ascendia a 559 miembros. Trabajan en la
union Alemania diez pastores, 11 obreros biblicos y un colportor” (Idem, p. 15).
Esses movimentos não crescem porque não possuem a mão abençoada de Deus
sobre eles, como ocorre na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Vejamos...
“Erguem-se continuamente pequenos grupos que crêem que Deus está unicamente
com os poucos, os dispersos, e sua influência é derrubar e espalhar o que os
servos de Deus constroem. Espíritos desassossegados, que desejam ver e crer
constantemente em alguma coisa nova, surgem de contínuo, uns aqui, outros ali,
fazendo todos uma obra especial para o inimigo, e todavia, pretendendo possuir a
verdade. Eles ficam separados do povo a quem Deus está conduzindo e fazendo
prosperar, e por meio de quem há de realizar Sua grande obra” (Testemunhos
Seletos, vol. 1, p. 166).
Não poderíamos ler declaração mais explícita e clara... não acha?!
b) Características da Falsa Reforma:
Os movimentos de reforma que têm surgido são pequenos, o que os faz
acreditar que por isso são abençoados por Deus. Os reformistas se gloriam de
serem grupos menores em comparação com a Igreja Adventista, argumentando que o
Espírito de Profecia diz que a Igreja verdadeira sempre foi pequena. Mas vejamos
o texto original:
“Em comparação com os milhões do mundo, o povo de Deus será, como tem sido,
um pequeno rebanho; mas se permanecerem na verdade como revelada em Sua Palavra,
Deus será seu refúgio” (Atos dos Apóstolos, p. 589).
Veja que a comparação não é feita entre os reformistas e a organização
Adventista, mas sim entre o mundo (7 bilhões de pessoas) e a Igreja Remanescente
(hoje com cerca de 13 milhões de membros).
CONFUSÃO E DESORDEM
O surgimento do movimento reformista em 1914 não foi com espírito de
oração, amor e união, como será a verdadeira reforma; mas pelo contrário, eles
criaram muita confusão, e até hoje observamos as inúmeras brigas, divisões,
dissensões, discórdias e disputas entre eles.
“Em lugar de dirigirem-se à Associação Geral sempre continuaram fazendo a
guerra no seio das igrejas... Teriam direito os dirigentes do movimento
oposicionista de agitar constantemente nossas igrejas com essas circunstâncias
difíceis, de formar desordens, de derrubar as igrejas e de formar suas
3
próprias?” (Protocolo de Fridensau, p. 19).
SURGIRAM LEVANTANDO FALSO TESTEMUNHO
O movimento de 1914 surgiu com falsos testemunhos contra a organização
Adventista, dizendo que a Igreja tinha se apropriado das casas publicadoras e
das instituições missionárias, e que eles (os reformistas) é que eram os
legítimos donos, pois foram os únicos a permanecerem fiéis.
E. Dorsheler escreveu “Ainda hoje tenho o mesmo ponto de vista, de que as
casas publicadoras, como a daqui de Fridensau, pertencem ao lugar onde estão os
princípios que foram dados em 1844. Pertencem aos irmãos que persistem neles”
(Idem, p. 24).
As instituições foram adquiridas com muito sacrifício, e Deus colocou Sua
bênção fazendo com que elas crescessem e se multiplicassem. Todas pertenciam à
organização Adventista, instituída pelos pioneiros de 1860.
MENTIRAS E FALSIDADES
Durante a divisão iniciada em 1914, os reformistas usavam uma estratégia
muito desonesta. Eles distribuíam revistas e folhetos, nas portas de nossas
Igrejas, ao final dos cultos, dizendo que eram um resumo do sermão que fora
apresentado. Uma grande artimanha! Pois isso levava as pessoas a estudarem suas
acusações e críticas contra a Igreja Adventista, fazendo com que muitos
descontentes deixassem à Igreja.
“Teriam vocês o direito de distribuir publicamente as revistas citadas,
depois de nossas reuniões, como resumos ou extratos de nossos sermões, expondonos
como babilônia caída, usando também falsamente os Testemunhos para este
fim?” (Protocolo de Fridensau, p. 20).
Vejamos o que Ellen White diz sobre os que ficam “pescando” textos isolados
nos seus escritos, e usando este material para acusar a Igreja:
“Os que escolhem os Testemunhos como a mensagem de Deus, são por eles
abençoados e auxiliados; mas os que o fragmentam, simplesmente para apoiar
alguma teoria ou idéia pessoal, para defender um procedimento errado, não serão
abençoados e beneficiados por aquilo que ensinam. Pretender que a Igreja
Adventista do Sétimo Dia seja babilônia, é fazer a mesma declaração que faz
satanás, que é o acusador dos irmãos, acusando-os dia e noite perante Deus”
(Testemunhos para Ministros, p. 42-43).
c) Por que o Movimento Reformista não é inspirado pelo Espírito Santo?
1) A Reforma de 1914 não cumpre os requisitos profetizados por Ellen White,
conforme vimos anteriormente, referentes aos movimento de reforma e derramamento
do Espírito sobre a Igreja.
2) Se a Reforma de 1914 fosse a verdadeira, a irmã White teria ratificado a
queda e apostasia da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e profetizado sua
substituição por outra organização ou igreja (cf. Am 3:7).
“O Senhor não tem deixado Sua Igreja em trevas, abandonada, mas traçou em
declarações proféticas o que havia de acontecer” (Med. Matinais 1977, p. 16).
“A Igreja talvez pareça prestes a cair, mas não cairá” (Mensagens
Escolhidas, vol. 2, p. 380).
“Tomais passagens dos Testemunhos que falam do fim do tempo da graça, da
sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre este povo de um outro povo,
mais puro e santo, que surgirá. Ora, tudo isso agrada ao inimigo” (Mensagens
Escolhidas, vol. 1, p. 179).
3. Se o Movimento de Reforma fosse autêntico, Ellen White não teria feito
um Testamento, no qual deixa todo seu legado à organização Adventista do Sétimo
Dia. Uma cópia deste Testamento pode ser vista no livro Mensageira do Senhor,
publicado pela CPB, pág. 569-571).
4
4. Se o Movimento de 1914 fosse autêntico, certamente todos os fiéis
pastores teria aderido a tal nova organização, porém nenhum aderiu à pseudoreforma.
Homens consagrados, como Butler e Loughborough, que ainda estavam vivos
em 1914, permaneceram na Igreja Adventista do Sétimo Dia, até a morte. Ellen
White considerava estes homens como alguns dos mais valorosos obreiros da causa
do Mestre (cf. Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 225-226).
5. Ellen White, que morreu em 1915, jamais aderiu ao Movimento de 1914, nem
deu apoio a ele. Ela fez questão de registrar em seu Testamento:
“Deixo instruções para que meu corpo seja sepultado com as devidas
cerimônias religiosas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sem aparato ou
ostentação” (ver Testamento de Ellen White, citado anteriormente).
6. O Pr. G. C. White, filho de Ellen White, também nunca saiu da Igreja
Adventista do Sétimo Dia. Sobre ele, Ellen White escreveu algo muito solene:
“Foi-me mostrado, também, que meu filho, G. C. White, seria meu ajudante e
conselheiro, e que o Senhor poria sobre ele o espírito de sabedoria e são
discernimento. Foi-me mostrado que o guiaria, e que ele não seria desviado,
porque reconheceria as direções e orientações do Espírito Santo” (Mensagens
Escolhidas, vol. 1, p. 54-55).
O Pr. G. C. White morreu em 1937 (23 anos após o movimento ter surgido), e
nunca abandonou as fileiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, passando para o
movimento reformista.
Vemos até aqui que não há respaldo nos escritos de Ellen White para o
surgimento de um novo movimento autorizado por Deus, fora da organização
Adventista do Sétimo Dia.
Os reformistas precisam reconhecer que sua origem é destituída
completamente da bênção de Deus... e a prova maior disso é seu crescimento
inexpressivo, ou até negativo.
Prof. Gilson Medeiros
http://prgilsonmedeiros.blogspot.com
Adaptação de material do Pr. Benildo Gabriel dos Santos,
ex-Vice-Presidente da Associação Reformista no Brasil,
atual Pastor Adventista do Sétimo Dia.
1
UM VELHO MÉTODO REFORMISTA
Extraído de:
Orlando G. de Pinho, Uma Luz que Alumia, São Paulo: Associação Paulista, 1976.
Este material foi publicado juntamente com o irmão Adalberto Simon, membro da Reforma por 40 anos.
Cópia de um trecho de carta escrito pelo Pr. C, H. Watson, então presidente
da Associação Geral da IASD, à Sra. E. Dees, residente em Ontário, Canadá, a 27 de
março de 1933. Foi enviada dos EUA pelo Pr. Moysés Nigri para a Associação
Paulista da IASD, e traduzida pelo Pr. Luiz Waldvogel.
A Alteração ou Aplicação Deturpada dos Testemunhos da Irmã White
“Agora, tendo escrito tão extensamente, desejo que a senhora saiba que “The
Sabbath Watchman” está inteiramente errado em alegar que a Associação Geral tenha
endossado os passos errados dados por Conradi e seus associados na Alemanha. A
declaração de “The Sabbath Watchman”, creio, representa muito falsamente a
Associação Geral, afirmando ter endossado a ação e atitude daqueles irmãos
europeus.
Também deturpa, em um ou dois casos, as declarações da irmã White.
Especialmente o faz quando representa algumas de suas mensagens que concitam a
uma reforma, como se significassem que as pessoas se devessem separar do corpo de
organizado de Adventistas do Sétimo Dia e fundar uma organização sua.
Conquanto eu não tenha podido dedicar muito tempo à leitura das folhas de
“The Sabbath Watchman” que me enviou, notei algumas coisas em seu uso dos
Testemunhos que me pareceram desonestas. Por exemplo, citam de Testimonies, vol.
1, pág. 240: “Nossa santa fé clama por separação. Não nos devemos conformar com
o mundo, ou com professadores da fé, sem coração e sem vida”. E citam isto como se
essa frase fosse um chamado para separação do corpo geral de adventistas. Na
realidade é parte de um testemunho pessoal, escrito ao irmão e irmã K.
Imediatamente antes das palavras que o impresso reformista cita, acham-se estas
outras:
“Amados irmão e irmã K.: em minha última visão foram-me mostradas
algumas coisas com respeito a sua família. O Senhor tem pensamentos de
misericórdia a seu respeito, e não os abandonará a não ser que os irmãos O
abandonem. L e M estão em estado de mornidão. Devem despertar e fazer esforços
em favor de sua salvação, ou do contrário não alcançarão a vida eterna. Devem
sentir uma responsabilidade individual, e ter uma experiência deles mesmos.
Precisam que se opere em seu coração, pelo Santo Espírito de Deus, uma obra que
os leve a amar e preferir a sociedade do povo de Deus acima de qualquer outra, e a
separar-se dos que não têm amor às coisas espirituais. Jesus requer um sacrifício
são, uma consagração completa. L e M, vocês não entendem que Deus requer suas
afeições indivisas. Vocês fizeram uma santa profissão, no entanto caíram no nível
morto dos professadores comuns. Você amam a sociedade dos jovens que não têm
respeito para com as sagradas verdades que vocês professam. Vocês se têm
2
assemelhado aos seus companheiros, e têm-se contentado com uma religião apenas
bastante para se tornarem agradáveis a todos, sem incorrer na censura de ninguém.
Cristo requer tudo. Se requeremos menos, Seu sacrifício seria de preço
demasiado alto, grande demais para nos elevar a esse nível. Nossa sagra fé brada:
Separação! Não nos devemos conformar com o mundo, ou com professadores sem
coração, sem vida”.
Este uso errado e positivamente deturpado por parte do “The Sabbath
Watchman”, de uma declaração da irmã White, é coisa demasiado séria para ser
perpetrada pelos que demandam reforma. Tenho em meu espírito sérias dúvidas
quanto a poder Deus realmente usar homens e mulheres que agem desse modo, ao
mesmo tempo que alegam ser reformadores da igreja.
Outro exemplo de uso desonesto das palavras da irmã White por eles, notei-o
naquelas folhas, onde citam de Review and Herald, de 25 de fevereiro de 1902, o
seguinte:
“Têm que ocorrer um reavivamento e uma reforma, sob o ministério do
Espírito Santo. Reavivamento e reforma são duas coisas diversas. Reavivamento
significa uma renovação da vida espiritual, um despertar das faculdades da mente e
do coração, uma ressurreição da morte espiritual. Reforma significa reorganização”.
Neste caso desdobraram uma sentença em duas, fazendo a declaração terminar
num ponto em que, segundo a dá o seu periódico, leva os leitores a compreenderem a
irmã White dizendo uma coisa que ela não tinha em mente. A sentença completa,
como ocorreu em Review and Herald, publicação da qual transcrevem [citada em
ME, 1:128], é a seguinte:
“Precisa haver um reavivamento e uma reforma, sob a ministração do Espírito
Santo. Reavivamento e reforma são duas coisas diversas. Reavivamento significa
renovação da vida espiritual, um avivamento das faculdades da mente e do coração,
uma ressurreição da morte espiritual. Reforma significa uma reorganização, uma
mudança nas idéias e teorias, hábitos e práticas.”
A declaração, na íntegra, dá, como se vê, um sentido muito diverso do que
aquele transmitido pelo “The Sabbath Watchman”. Noto também que há uma citação
do vol. 3, pág. 146, nestes termos:
“A menos que haja uma decidida reforma entre o povo de Deus, Ele desviará
deles o Seu rosto”.
A irmã White escreveu esta declaração num testemunho pessoal a um médico
de Battle Creek. Ele foi escrito na Austrália e de lá enviado a 15 de junho de 1895.
Referia-se à terrível condição na obra em Battle Creek naquele tempo em que esteve
sob o completo domínio do Dr. Kellogg, que nessa ocasião estava caindo em
apostasia e empenhando-se em que seus pontos de vista, apostatados e publicados,
3
fossem aceitos por nosso povo. Foram estes e outros testemunhos da irmã White que
afinal efetuaram uma quase completa reorganização da obra, mudando-se sua sede,
de Battle Creek para Washington. Foi também neste relacionamento que a declaração
à qual me referi, da Review and Herald de 25/02/1902, acerca da reforma, foi-nos
dada pela irmã White. Em atenção a essas instruções, processou-se naquele tempo,
sob a liderança do Pr. A. G. Daniells e direção da irmã White, uma grande obra de
reforma, reorganização e recuperação do movimento, das influências e poderes
apóstatas. Será correto, aos olhos de Deus, escrever e falar dessas mensagens como se
tivessem sido desacatadas, e das mudanças que elas requeriam, como se não tivessem
sido usadas para promover a reforma e reorganização que requeriam? Acho errado
apresentar agora essas mensagens, como se tivessem sido postas à margem, quando
na realidade Deus usou-as, naqueles anos passados, para salvar Sua obra da
destruição, pois estava em perigo muito grande.
Agora um ponto mais. Parece-me que os que insistem em que a Igreja
Adventista do Sétimo Dia seja Babilônia, jamais deveriam usar os Testemunhos para
provar suas alegações. A irmã White reprovou esta espécie de empenho tão
decididamente, que os que a citam par dar a impressão de que ela apóie semelhantes
alegações, caem sob a condenação de suas palavras. Eu recuaria de ser culpado da
fulminante repreensão por intermédio dela administrada por Deus aos que isto
fizeram. Por bondade, observe a declaração dela:
“No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha,
tapando o muro e restaurando os lugares assolados; e todo homem que chamar a
atenção do mundo e de outras igrejas para esta igreja, denunciando-a como
Babilônia, está trabalhando de acordo com aquele que é o acusador dos irmãos. (...)
“Os que se põem a proclamar uma mensagem sob sua responsabilidade
pessoal, e que, ao mesmo tempo que declaram ser ensinados e guiados por Deus,
constituem sua obra especial derrubar aquilo que Deus durante anos tem estado a
erguer, não estão cumprindo a vontade de Deus. Saiba-se que esses homens se
encontram do lado do grande enganador. Não os creiais. Estão-se aliando com os
inimigos de Deus e da verdade. Porão a ridículo a ordem estabelecida no pastorado,
considerando-a um sistema eclesiástico imperialista. Afastai-vos desses; não tenhais
comunhão com sua mensagem por muito que eles citem os Testemunhos e atrás deles
busquem entrincheirar-se. Não os recebais; pois Deus não os incumbiu dessa obra.
O resultado de semelhante obra será incredulidade nos Testemunhos, e nos limites
do possível, tornarão sem efeito a obra que por anos tenho estado a fazer.
“Quase toda minha vida tem sido dedicada a esta obra, mas meu encargo
muitas vezes se tem tornado mais pesado pelo surgimento de homens que saíram a
proclamar uma mensagem que Deus não lhes dera. Esta classe de obreiros maus tem
escolhido porções dos Testemunhos, e tem-nas colocado numa moldura de erro, a
fim de por esse meio dar influência a seus testemunhos falsos. Quando se tornar
manifesto que sua mensagem é um erro, então os Testemunhos postos na companhia
do erro, participam da mesma condenação; e o povo do mundo, que não sabe que os
4
Testemunhos citados são extratos de cartas particulares usadas sem meu
consentimento, apresenta essa matéria como evidência de que minha obra não é de
Deus, nem é verdadeira, mas falsa. Os que assim trazem má fama sobre a obra de
Deus terão de responder perante Ele pela obra que estão fazendo. (...)
“Os que estão levando esta mensagem errada, denunciando a igreja como
sendo Babilônia, negligenciam a obra que Deus lhes determinou fazer, estão em
oposição à organização, opõem-se à clara ordem de Deus pronunciada por
Malaquias com relação a trazer todos os dízimos ao tesouro da casa de Deus, e
imaginam ter uma obra a fazer no sentido de advertir aqueles a quem Deus escolheu
para levar avante Sua mensagem de verdade. Esses obreiros não estão trazendo
maior eficiência à causa e ao reino de Deus, mas estão empenhados numa obra
idêntica àquela em que o inimigo de toda a justiça se empenha. Que estes homens
que se levantam contra os meios e modos ordenados por Deus para levar avante Sua
obra nestes dias perigosos, se despojem de todos os pontos de vista não
escriturísticos quanto à natureza, ofício e poder dos agentes designados por Deus.
(...)
“Os que têm proclamado ser a Igreja Adventista do Sétimo Dia, Babilônia, têm
feito uso dos Testemunhos para dar à sua atitude um aparente apoio; mas por que é
que não apresentaram aquilo que por anos tem sido a preocupação de minha
mensagem - unidade da igreja? Por que não citaram as palavras do anjo: "Uni-vos,
uni-vos, uni-vos"? Por que não repetiram a advertência nem declararam o princípio
de que "na união há força, na divisão há fraqueza"? São mensagens como as que
esses homens têm proclamado, que dividem a igreja e trazem sobre nós opróbrio
perante os inimigos da verdade; e nessas mensagens se revela claramente a astuta
atuação do grande enganador, que quer impedir a igreja de alcançar a perfeição na
unidade. Esses mestres seguem as labaredas de seu fogo, agem segundo seu juízo
independente, e embaraçam a verdade com falsas noções e teorias. Rejeitam o
conselho de seus irmãos, e avançam em seu caminho até se tornarem justamente o
que Satanás deseja - de espírito desequilibrado.
“Advirto meus irmãos a que se guardem contra a atuação de Satanás em todas
as formas. O grande adversário de Deus e do homem exulta hoje por ter tido êxito
em iludir almas, e em desviar seus meios e habilidade para condutos danosos. Seu
dinheiro poderia ter sido empregado em promover a verdade presente, mas em vez
disso foi expendido em apresentar noções que não têm base na verdade.” -
Testemunhos para Ministros, págs. 50-57.
Ora, para mim essas instruções são muito claras. Seguidas, levarão os homens
a não causar separação e ficar confundidos, mas a unirem-se. A união dos crentes, e
não a divisão da igreja, é o âmago das mensagens da irmã White. Sou muito
obediente a essas mensagens quando faço o mais possível para conservar o povo e as
forças deste movimento [ASD] cerrando fileiras no mais unido dos propósitos e
comunhão cristãos. A reforma necessária e reclamada é de natureza a banir de nosso
5
coração divisões, lutas e frieza, unindo-nos em amor e sincera devoção a Deus. Em
prol desta reforma eu oro sinceramente, mas espero que se realize dentro da igreja,
preparando-a para a vinda de Jesus.
Receio tê-la cansado, escrevendo tão extensamente, mas procurei apresentarlhe
os fatos como creio estarem nos registros e decisões do passado, e nas instruções
da serva de Deus.
Confiando que esta informação ajudará seu coração a firmar-se na verdade, e
com os melhores votos.
Seu irmão na obra,
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